Chamativo por seu formato e sua intensa cor, o dragão azul pode até dar vontade de tocar, mas ai de quem tentar. Também conhecido pelo nome menos nobre de lesma-do-mar, os Glaucus atlanticus levaram ao fechamento de praias na costa da Espanha quatro vezes na última semana.
No dia 20 de agosto, a polícia local de Guardamar del Segura, município próximo de Valência, anunciou a proibição do banho de mar após o aparecimento de dragões azuis nas praias pela primeira vez. A medida busca evitar acidentes com banhistas, já que o contato com o animal pode provocar “queimaduras dolorosas na pele”, segundo as autoridades de saúde.
Leia também
Fóssil de 183 milhões de anos mostra como dragão marinho caçava
Pesquisadora encontra dragão azul de 1 cm em praia do litoral de SP
HBO confirma fim de A Casa do Dragão
A Casa do Dragão: George R.R. Martin se revolta com erro nos dragões
“O contato do animal com a pele pode causar dor intensa, vômitos e reações adversas em pessoas expostas”, afirma a polícia local, recomendando não tocar os animais nem mesmo de luvas. “Em caso de acidente, a recomendação é lavar com água do mar, aplicar compressas frias e procurar atendimento médico imediato.”
Os dragões azuis estão espalhados por todos os mares, mas se concentram especialmente em regiões de águas tropicais. Sua presença na gelada costa do Mediterrâneo é considerada incomum, por isso chamou atenção de moradores e turistas. No Brasil, os avistamentos têm se tornado mais comuns nos últimos anos.
3 imagensFechar modal.1 de 3
Animal acumula toxinas de caravalas-portuguesas, seu principal alimento
S.Rohrlach/Getty Images2 de 3
Ao acasalar, as lesmas precisam evitar o contato de suas partes que acumulam toxinas
S.Rohrlach/Getty Images3 de 3
Dragões azuis não devem ser tocados quando vistos
S.Rohrlach/Getty Images
O que é o dragão azul?
As lesmas-do-mar, de apenas 3 centímetros, flutuam na superfície do oceano. Vistas de cima, apresentam tons prateados que se confundem com as ondas, mas, de baixo, exibem tons intensos de azul brilhante, o que lhes rendeu o apelido de dragões azuis.
O animal não produz toxinas. O que ele faz é capturar as toxinas de suas principais presas, as caravelas-portuguesas (parentes das águas vivas). As substâncias são incorporadas em seus apêndices e são arriscadas ao toque até para os próprios animais. Durante o acasalamento, os nudibrânquios hermafroditas desenvolvem rituais complexos para evitar ferimentos.
Segundo a pesquisadora brasileira Gemany Caetano, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), que analisa dragões azuis, os animais flutuam ao sabor das águas e muitas vezes passam despercebidos nas praias por diminuirem muito do próprio tamanho, chegando a menos de um centímetro.
“O ideal é que o animal não seja tocado. Se ele estiver vivo, o ideal é ligar para órgãos ambientais ou bombeiros para que ele seja devolvido ao mar”, conclui ela.
Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto!