Dolomitas: fazendeiros italianos instalam catraca e cobram ingresso em trilha

As Dolomitas, cadeia montanhosa nos Alpes, são um dos destinos de montanha mais famosos da Itália. Mas a alta temporada e a crescente onda de turistas geraram um cenário inesperado: uma catraca de metal no meio de uma trilha, instalada para lidar com o fluxo excessivo de visitantes.

A iniciativa partiu de quatro agricultores cujas terras são atravessadas pela trilha que leva ao monte Seceda, de onde turistas têm vista panorâmica da cordilheira Odle. Só no último mês, até oito mil pessoas chegaram a percorrer o caminho em um único dia. Para os moradores, a multidão deixa não só pegadas, mas também lixo, danos ambientais e prejuízos ao pasto.

@iris.in.crisis #dolomites #seceda #dontknow #nobodytalksabout #schocked ♬ DIM – Yves

Cansados de arcar com os custos enquanto operadoras de teleféricos e hotéis lucram com o turismo, os agricultores decidiram cobrar uma taxa de € 5 por pessoa. Segundo Georg Rabanser, um dos proprietários, a medida foi “um pedido de ajuda” para chamar a atenção do governo, que até agora não apresentou soluções concretas.

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Aumento de visitantes

A iniciativa gerou polêmica, pois a legislação italiana garante o “direito de passagem” em áreas alpinas. Poucas regiões do país cobram taxa de acesso, como a Via dell’Amore, em Cinque Terre, ou Monte Rosa, no Piemonte. O gesto, ainda que temporário, destacou um problema maior: o turismo de massa nos Alpes italianos, intensificado por uma onda de calor que fez muitas pessoas deixarem as praias em busca do frescor das montanhas.

O aumento de visitantes também trouxe acidentes: só neste verão, mais de 80 pessoas morreram em trilhas, ciclismo ou parapente, segundo o jornal britânico The Telegraph. Muitos turistas chegam despreparados, usando chinelos ou guarda-sol, e dependem de teleféricos pagos para chegar às trilhas. Para conter os impactos, o Conselho de Turismo de Santa Cristina, que supervisiona parte da área onde as catracas foram instaladas, reforçou a fiscalização, contratando guardas para garantir que os turistas permaneçam nos percursos.

Especialistas alertam para o risco de transformar os Alpes em “territórios de catracas”, quando o acesso às montanhas deveria permanecer livre, e criticam ainda a influência das redes sociais, que atraem multidões com o intuito de tirar fotos instagramáveis. A catraca em Seceda já foi removida e reinstalada algumas vezes, e, mesmo diante da falta de soluções, cumpre seu papel simbólico: provocar debate entre o direito de circulação e a preservação ambiental.

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