Em novembro de 2024, a mexicana Carolina Yesenia Lopez Figueroa passou por uma crise com fortes dores abdominais. Preocupada com a intensidade das cólicas, decidiu ir ao hospital em busca de alívio, sem imaginar que a vida mudaria radicalmente naquele dia.
“Comecei a sentir cólicas muito fortes. Fui ao hospital e lá me fizeram várias perguntas sobre o que eu sentia. Eu disse que a dor era intensa, no pé da barriga”, conta em vídeo compartilhado nas redes sociais.
Ao chegar à sala de emergência, Carolina foi cercada por médicos. “Oito médicos estavam ao meu redor olhando em completo silêncio para um monitor pequeno. Perguntei preocupada: ‘O que eu tenho?’. A médica olhou para mim, sem jeito, e disse: ‘Você está grávida”, conta.
A jovem estava em trabalho de parto aos oito meses de gestação. “Senti as dores do parto e não sabia”, resume, ainda surpresa ao narrar a experiência.
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O que é a gravidez silenciosa
O caso de Carolina ilustra uma condição conhecida como gravidez silenciosa, em que a mulher descobre a gestação em estágio avançado ou até mesmo durante o parto.
“É uma gestação em que a mulher não percebe os sintomas iniciais, como atraso menstrual, náuseas, aumento abdominal ou movimentação fetal”, explica Michele Egidio, ginecologista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.
Segundo a médica, fatores como ciclos menstruais irregulares, síndrome dos ovários policísticos, obesidade e até tratamentos de saúde como quimioterapia podem mascarar os sinais. Em alguns casos, as mulheres atribuem a ausência de menstruação ao seu “normal” ou acreditam não poder engravidar devido a doenças pré-existentes.
Por que acontece?
De acordo com a ginecoendocrinologista Lorrainy Rabelo, especialista em reprodução humana, o fenômeno costuma estar ligado a alterações hormonais.
“Pode acontecer quando a mulher fica muitos meses sem menstruar ou quando apresenta sangramentos que parecem menstruação, mas, na verdade, são escapes gestacionais”, esclarece.
Carolina Yesenia Lopez Figueroa agora compartilha em suas redes sociais fotos com a filha
Riscos da descoberta tardia
Os riscos de um diagnóstico tão tardio não são apenas emocionais, mas também de saúde. “Sem pré-natal adequado, podem ocorrer doenças fetais não diagnosticadas, além de condições maternas como pré-eclâmpsia. Também não temos a certeza da idade gestacional do bebê”, alerta Michele Egidio.
Além disso, a ausência de acompanhamento pode atrasar a identificação de emergências, como a gravidez ectópica — quando o embrião se implanta fora do útero —, uma condição de risco que precisa de diagnóstico rápido.
A importância do acompanhamento
As especialistas reforçam que a gravidez silenciosa é extremamente rara. “A probabilidade é muito pequena, visto que a maioria das gestações têm sintomas em algum momento”, observa Lorrainy Rabelo.
Ainda assim, elas alertam para a importância de manter consultas de rotina. “O acompanhamento ginecológico regular ajuda a mulher a entender melhor seu corpo e sintomas. Pacientes com ciclos irregulares devem investigar o motivo e receber tratamento. Além disso, isso auxilia na orientação sobre contracepção e planejamento familiar”, completa Michele Egidio.
O caso de Carolina serve como lembrete de que o corpo feminino pode surpreender até em situações inesperadas. Passado o susto da descoberta da gravidez, a mexicana saiu do hospital feliz, com um bebê saudável nos braços.
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