A meditação é um conjunto de técnicas que criam a capacidade de se concentrar no momento presente. Também é considerada como um treinamento mental que tem como objetivo exercitar o foco e a concentração. Mas quais são os reais benefícios da meditação para a saúde?
O surgimento da meditação data de 1.500 a.C. na Índia, quando foram encontradas estátuas de divindades em postura de meditação, e também há registros nos vedas, os livros sagrados do hinduísmo.
Mas a meditação nunca esteve restrita a uma prática religiosa, e foi propagada por todo o ocidente como uma filosofia de vida e uma prática autorregulatória do corpo e da mente. Depois de anos, a ciência também passou a ter curiosidade sobre o tema e a pesquisar sobre os benefícios da meditação.
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Mas o que é meditar?
Existe um senso comum que acredita que meditar é não pensar. Mas essa não é a melhor definição para a meditação, uma vez que o cérebro humano é uma máquina incessante de pensamentos – querer fazê-lo simplesmente parar seria uma luta inglória.
Por isso, dentro da prática meditativa se fala em âncoras, que são pontos de foco onde o meditante deve concentrar a sua atenção. Essa âncora pode ser um ponto fixo na parede, uma música, repetir um mantra, fazer uma visualização, observar as próprias sensações ou sentimentos, ou mesmo o simples fato de prestar atenção na respiração.
Mas, mesmo com uma âncora, é muito provável que enquanto você medita a sua mente te relembre de uma mágoa que te fizeram no passado ou comece a elencar as contas que precisam ser pagas amanhã. O objetivo é, independente de quantas memórias ou ideias venham, não as alimente e retorne a atenção para sua âncora.
Em artigo sobre o tema, Carolina Baptista Menezes e Débora Dalbosco Dell’Aglio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) analisam como as técnicas meditativas podem ajudar a criar um olhar para o próprio fluxo de pensamentos mais preocupado em observar, do que julgar. E salienta a importância da desidentificação das ideias, ou seja, você não é os seus pensamentos.
“Os conteúdos que emergem à consciência não devem ser confrontados ou elaborados intencionalmente, apenas observados, de forma que a prática se transforme em um aprendizado de como não deixar influenciar-se pelos mesmos e compreendê-los como fluxos mentais”, explica o estudo.
Meditação realmente traz benefícios à saúde?
Embora os benefícios da meditação estejam sendo discutidos no ocidente desde 1936, foi a partir dos anos 1960 que o tema passou a ser foco de estudos mais rigorosos.
E, dentre todos esses estudos, a maioria concorda que, mesmo que haja uma gama de técnicas meditativas disponíveis atualmente, como o mindfulness e a meditação concentrativa, todas têm uma característica fundamental em comum: o controle da atenção.
Partindo desse princípio, entre os benefícios da meditação está a melhora de sintomas em casos de ansiedade. Estudo publicado no Jama Psychiatry, escrito por pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Georgetown, analisou 276 participantes que já tinham diagnóstico de ansiedade, fobia social e pânico.
O grupo foi dividido entres os que deveriam passar 24 semanas praticando meditação mindfulness, e o outro grupo teve como tratamento unicamente o medicamento escitalopram. O resultado foi que a meditação pode ser tão eficaz no tratamento da ansiedade quanto o uso de medicamentos.
Após o período do experimento, os pesquisadores observaram que o grupo que meditou teve uma redução média de 1,35 pontos nos sintomas de ansiedade, e 1,43 pontos para o grupo que utilizou o escitalopram. Para os pesquisadores, esses números são bem aproximados e considerados equivalentes.
O aumento do poder de foco e concentração à medida que se mantém uma consistência na prática meditativa também são mencionados em diversos estudos que utilizaram a medição de ondas gama, e exames de tomografia computadorizada para chegar a essas conclusões. Ou seja, a atenção e foco são habilidades treináveis, e a meditação pode ajudar.
A redução do estresse também é um benefício importante da meditação. Outro estudo constatou uma redução nos níveis de cortisol em pacientes com HIV e câncer que aderiram à prática de meditação. E, ao longo de quatro meses, os efeitos da redução do estresse se mantiveram no longo prazo.
Por falar em estresse, ele é uma das principais causas do aumento da pressão arterial, e consequentemente de problemas cardiovasculares. Artigo publicado no European Journal of Preventive Cardiology analisou a variabilidade da frequência cardíaca em repouso e em meditação e concluiu que a meditação pode contribuir para redução do risco cardiovascular.
Além disso, a meditação pode causar mudanças estruturais, por exemplo, no que tange à neuroplasticidade – que é a capacidade do cérebro de se reorganizar e de criar novas conexões neurais ao longo da vida.
“Uma pesquisa que comparou a espessura do córtex de meditadores experientes com um grupo controle encontrou uma diferença significativa nas regiões relacionadas à sustentação da atenção, onde a espessura era maior nos praticantes experientes”, afirma o estudo da UFRGS.
Além de tudo, a meditação também se mostra como uma excelente técnica de autoconhecimento e regulação emocional – reduzindo pensamentos ruminativos e de distração. Outro estudo verificou que meditadores mais experientes se mostraram mais alegres, maduros, autoconfiantes, com melhor autoimagem e também eram mais estáveis emocionalmente, comparado com o grupo que não meditava.
Se você quer começar a praticar, existem tutoriais de meditação na própria Netflix e também no YouTube.
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