Um estudo publicado na Frontiers in Marine Science aponta que a acidificação dos oceanos, causada pelo aumento das emissões de CO₂ e pelas mudanças climáticas, pode enfraquecer os dentes dos tubarões-de-pontas-pretas-de-recife (Carcharhinus melanopterus).
Em simulações de condições previstas para o ano 2300, os dentes apresentaram rachaduras, buracos e sinais de corrosão após oito semanas em água mais ácida (pH 7,3).
Segundo o biólogo Maximilian Baum, autor principal da pesquisa, não são apenas corais e moluscos que sofrem com a queda do pH marinho: “As melhores, mais desenvolvidas e altamente mineralizadas armas dos principais predadores também são afetadas”.
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Consequências para os predadores
Embora tubarões regenerem dentes continuamente, a acidificação pode exigir substituições mais frequentes, dificultando a mineralização e aumentando o gasto de energia.
Como já enfrentam ameaças como pesca excessiva, destruição de habitats e caça ilegal, dentes enfraquecidos podem representar mais um risco à sua sobrevivência.
Incertezas e necessidade de mais pesquisas
Os autores destacam que os efeitos práticos na sobrevivência dos tubarões ainda não são claros.
Estudos anteriores mostraram resultados diferentes, dependendo da espécie e das condições experimentais.
Ainda assim, os achados levantam um alerta: mesmo predadores que existem há mais de 400 milhões de anos podem ser vulneráveis ao ritmo acelerado das mudanças atuais.
Como lembra Baum, muitas espécies já desapareceram no passado. No futuro, algumas poderão resistir, mas “outras, talvez não”.
O post Mordidas de tubarão podem ficar menos ‘ameaçadoras’ – e isso é um problema apareceu primeiro em Olhar Digital.