Os asteroides Bennu e Ryugu são praticamente irmãos. Com composição química similar e tendo surgido da mesma rocha mãe, tudo indicava que seriam quase idênticos, mas uma característica chamativa os separa: suas cores. Quando observados por telescópio, Bennu é azulado e Ryugu tem aspecto avermelhado. Por que será?
Pesquisadores buscaram responder essa e outras perguntas sobre as características dessas rochas espaciais em três novos estudos. A equipe passou os últimos anos analisando as amostras de Bennu coletadas pela missão OSIRIS-REx, da NASA, em 2022, e as comparou com fragmentos de Ryugu captados pelas missões Hayabusa, da Agência Espacial Japonesa (JAXA).
Segundo a teoria mais aceita sobre a origem desses irmãos cósmicos, eles faziam parte da família de asteroides Polana, que teria se formado quando uma rocha gigante se fragmentou nos primórdios do Sistema Solar. O maior resíduo desse corpo cósmico é 142 Polana, um asteroide com mais de 55 km localizado no cinturão principal, entre Marte e Júpiter.
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Cores dos asteroides indicam diferentes etapas de um mesmo ciclo
Ao observar o nascimento dessas rochas, os astrônomos esperavam que a diferença de trajetórias e a exposição ao ambiente espacial fossem as responsáveis pelas cores distintas. Porém, descobriram que ambos experienciaram os efeitos cósmicos de formas muito similares.
A equipe notou que os detritos na superfície desses dois asteroides do tipo “pilha de entulho” se movimentam em ciclos ao longo do tempo. No caso de Ryugu, os grãos superficiais resistiram às condições extremas do espaço por milhares de anos, enquanto em Bennu permaneceram expostos a esse ambiente por dezenas de milhares de anos.
Os pesquisadores concluíram que a mudança de cor indica que a interação da matéria dessas rochas com a luz, absorvendo ou refletindo diferentes comprimentos de onda, varia conforme o tempo de exposição da superfície aos efeitos do espaço.
“E assim, em vez de olhar para duas trajetórias diferentes sobre como esse processo está operando nesses corpos, estamos vendo dois pontos diferentes em um ciclo”, explicou Michelle Thompson, pesquisadora da Universidade de Purdue e integrante do estudo, em um comunicado.
Bennu é uma “cápsula do tempo” com dados sobre a origem da vida e do Sistema Solar
Em uma pesquisa de janeiro deste ano, um grupo de cientistas encontrou “sementes da vida” em Bennu: as bases nitrogenadas que compõem o DNA e sais minerais. Os especialistas acreditam que captar mais dados sobre a quantidade desses compostos na rocha espacial pode revelar informações preciosas sobre a origem dos seres vivos.
Essas substâncias hoje se encontram em abundância na Terra, mas foram modificadas pelos milhões de anos de transformação geológica e biológica. Em Bennu, elas estão intocadas, preservadas em um estado que permite aos pesquisadores investigar o passado do Sistema Solar, anterior à formação dos planetas.
“Asteroides são como cápsulas do tempo. Podemos usá-los para examinar os primórdios do nosso Sistema Solar e abrir uma janela para a origem da vida na Terra”, concluiu Thompson.
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