Em relatório apresentado na Conferência do Clima da ONU (COP30), cientistas demonstraram preocupação com o ritmo das mudanças climáticas. De acordo com especialistas, enquanto o aquecimento global avança, a capacidade de recuperação terrestre diminui. O documento foi apresentado nesta segunda-feira (10/11) no evento realizado em Belém, no Pará.
Leia também
Financiamento climático pode travar negociações na COP30. Entenda
“COP da implementação”: o que falta para tirar pautas do papel
Aquecimento mundial caminha para 2,6º e ameaça idosos, diz relatório
Mundo deve superar 1,5°C de aquecimento até 2035, diz relatório da ONU
O parecer foi elaborado por 70 cientistas de 21 países, incluindo o Brasil. Segundo o documento, os locais responsáveis por armazenar carbono no planeta estão chegando a limites críticos e diminuindo sua capacidade de armazenamento das emissões. Entre os principais sumidouros naturais de carbono terrestre estão florestas, solos e oceanos.
“O planeta inteiro está apresentando sinais de diminuição na capacidade de absorção de carbono. A maior preocupação, com base nos dados atuais, reside nas regiões temperada e boreal e na zona do permafrost – solos ou sedimentos compostos por terra, gelo e matéria orgânica congelada em regiões muito frias e com capacidade de de reter gases de efeito estufa”, explica o cientista climático e um dos autores do relatório, Johan Rockström, em entrevista à Agência Fapesp.
Os dados do documento apontam que a derrocada na absorção de carbono dos ecossistemas do hemisfério Norte começou há nove anos. “Está ficando muito preocupante porque sabemos que muitas áreas da parte brasileira da floresta amazônica já deixaram de ser sumidouros e se tornaram fontes de carbono, mas a mesma coisa está acontecendo com as florestas temperadas e boreais”, ressalta o diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impacto Climático, na Alemanha.
Como frear o aquecimento global e aumentar a resiliência terrestre
Os especialistas afirmam que o principal caminho é a criação de ações de remoção de dióxido de carbono (CDR, na sigla em inglês) mais robustas. O financiamento para pesquisa e medidas inovadoras também é necessário. Para garantir o cumprimento das metas climáticas a curto prazo e a estabilidade futura, se faz urgente a adoção de novas determinações.
“As políticas climáticas mais ambiciosas discutidas hoje visam reduzir as emissões em 45% até 2030 e ter uma economia mundial com emissões líquidas zero até 2050, mas ninguém está cumprindo essa meta. Se não ampliarmos a CDR, teremos que descarbonizar a economia global até 2040”, ressalta Rockström.
Com a divulgação do relatório, a esperança dos pesquisadores é que os compromissos climáticos sejam antecipados o mais rápido possível. “Esperamos que isso funcione de forma muito mais eficiente para a formulação de políticas e, de fato, subsidie as ações que serão tomadas e as negociações”, finaliza uma das autoras do documento, Regina Rodrigues, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto!




