Médicos da Escócia e dos Estados Unidos realizaram a primeira trombectomia remota do mundo, com o auxílio de um robô, um marco que pode mudar o tratamento de pacientes com acidente vascular cerebral (AVC).
A trombectomia é o método mais eficaz para remover coágulos que obstruem vasos do cérebro. O procedimento experimental foi conduzido com auxílio de um robô que replica em tempo real os movimentos das mãos do cirurgião.
Segundo os pesquisadores, a tecnologia pode encurtar a distância entre médicos e pacientes, permitindo que especialistas operem remotamente, sem precisar estar no mesmo hospital, ou sequer no mesmo continente.
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A professora Iris Grunwald, diretora do Centro de Pesquisa em Terapia Guiada por Imagem (IGTRF), da Universidade de Dundee (Escócia), realizou a primeira trombectomia à distância em um corpo humano doado à ciência. Ela e o cadáver estavam em bairros diferentes no momento da operação.
Poucas horas depois, o neurocirurgião Ricardo Hanel, do Baptist Medical Center, em Jacksonville (EUA), repetiu o procedimento a mais de 6 mil quilômetros de distância, também com sucesso.
Os dois utilizaram a plataforma robótica da empresa de tecnologia médica Sentante. O sistema usa cateteres e fios-guia convencionais conectados a um dispositivo de alta precisão que transmite o comando pela rede, com um tempo de resposta de apenas 120 milissegundos, o equivalente a um piscar de olhos.
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O acidente vascular cerebral, também conhecido como AVC ou derrame cerebral, é a interrupção do fluxo de sangue para alguma região do cérebro
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O acidente pode ocorrer por diversos motivos, como acúmulos de placas de gordura ou formação de um coágulo – que dão origem ao AVC isquêmico –, sangramento por pressão alta e até ruptura de um aneurisma – causando o AVC hemorrágico
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Muitos sintomas são comuns aos acidentes vasculares isquêmicos e hemorrágicos, como: dor de cabeça muito forte, fraqueza ou dormência em alguma parte do corpo, paralisia e perda súbita da fala
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O derrame cerebral não tem cura, entretanto, pode ser prevenido em grande parte dos casos. Quando isso acontece, é possível investir em tratamentos para melhora do quadro e em reabilitação para diminuir o risco de sequelas
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Na maioria das vezes, acontece em pessoas acima dos 50 anos, entretanto, também é possível acometer jovens. A doença pode acontecer devido a cinco principais causas
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Tabagismo e má alimentação: é importante adotar uma dieta mais saudável, rica em vegetais, frutas e carne magra, além de praticar atividade física pelo menos 3 vezes na semana e não fumar
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Pressão alta, colesterol e diabetes: deve-se controlar adequadamente essas doenças, além de adotar hábitos de vida saudáveis para diminuir seus efeitos negativos sobre o corpo, uma vez que podem desencadear o AVC
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Defeitos no coração ou vasos sanguíneos: essas alterações podem ser detectadas em consultas de rotina e, caso sejam identificadas, devem ser acompanhadas. Em algumas pessoas, pode ser necessário o uso de medicamentos, como anticoagulantes
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Drogas ilícitas: o recomendado é buscar ajuda de um centro especializado em drogas para que se possa fazer o processo de desintoxicação e, assim, melhorar a qualidade de vida do paciente, diminuindo as chances de AVC
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Aumento da coagulação do sangue: doenças como o lúpus, anemia falciforme ou trombofilias; doenças que inflamam os vasos sanguíneos, como vasculites; ou espasmos cerebrais, que impedem o fluxo de sangue, devem ser investigados
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Como o robô funciona?
Diferente de outros sistemas cirúrgicos que operam por joystick, o robô da Sentante oferece uma resposta tátil realista, permitindo ao médico sentir a pressão e a resistência como se estivesse realizando o procedimento manualmente.
Enquanto o cirurgião manipula os instrumentos a distância, um profissional local faz a punção arterial para permitir o acesso ao cérebro.
“O robô reproduz exatamente o que sinto ao realizar uma trombectomia presencial. Ele preenche a lacuna entre o operador e o paciente, independentemente da distância”, explicou Grunwald, em comunicado divulgado pela Universidade de Dundee, nessa segunda-feira (10/11).
Próximos passos
Os testes realizados em corpos humanos com circulação simulada foram conduzidos no Instituto de Anatomia de Dundee, referência mundial em estudos de imagem e cirurgia guiada. Os cientistas esperam iniciar ensaios clínicos em pacientes vivos nos próximos anos, com o objetivo de validar a segurança e eficácia da trombectomia remota.
A Sentante já recebeu da FDA, agência regulatória dos Estados Unidos, a designação de “Dispositivo Inovador” para o sistema robótico. A expectativa é que, no futuro, a tecnologia ajude a eliminar barreiras geográficas e permita que o tratamento de AVC chegue a mais pessoas.
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