Muito mais que sete irmãs: aglomerado das Plêiades pode revelar “família” 20 vezes maior

Um estudo publicado nesta quarta-feira (12) no periódico científico The Astrophysical Journal revela que o famoso aglomerado das Plêiades – conhecido como as “Sete Irmãs” – pode ser apenas o núcleo de uma família estelar muito mais ampla. 

Segundo a pesquisa, conduzida por astrônomos da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill (EUA), esse grupo de estrelas é cerca de 20 vezes maior do que se pensava.

Em resumo:

Astrônomos descobriram que as Plêiades pertencem a um grupo estelar maior que as “sete irmãs”;

O chamado Complexo das Grandes Plêiades é 20 vezes mais extenso;

A equipe usou dados do TESS, da NASA, e da sonda Gaia, da ESA, para identificar estrelas relacionadas;

Uma nova técnica baseada na rotação revelou idades e origens comuns;

O achado amplia a visão sobre famílias cósmicas e a origem do próprio Sol.

Imagem das Sete Irmãs Plêiades fotografadas da Espanha. Crédito: © Sándor Biliczki via Royal Observatory Greenwich

Estrelas jovem giram mais rápido que as antigas

Usando dados combinados do Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito (TESS), da NASA, e do telescópio espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), os cientistas identificaram milhares de estrelas relacionadas às Plêiades espalhadas pelo céu. Essa estrutura estendida recebeu o nome de “Complexo das Grandes Plêiades”. De acordo com os pesquisadores, ela representa uma associação estelar em processo de dispersão.

A descoberta foi possível graças a uma nova técnica baseada na rotação estelar. Como as estrelas jovens giram mais rápido e as mais antigas mais devagar, a equipe usou essa diferença como indicador de idade. O método permitiu identificar estrelas que se formaram ao mesmo tempo, mesmo que hoje estejam distantes umas das outras no céu.

“Este estudo muda a forma como vemos as Plêiades – não apenas como sete estrelas brilhantes, mas como milhares de irmãs perdidas espalhadas por todo o céu”, afirmou Andrew Boyle, autor principal e pesquisador da UNC-Chapel Hill, em um comunicado. Ele explica que sua equipe uniu as medições de rotação do TESS aos dados de posição e movimento do Gaia para reconstruir a linhagem estelar.

A extensão total do Complexo das Grandes Plêiades, como apareceria no céu noturno se todas as estrelas da nova lista de membros fossem visíveis a olho nu. Crédito: Andrew W. Boyle et al

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Aglomerado das Plêiades é lendário

As implicações dessa descoberta vão além da astronomia. As Plêiades têm grande importância cultural. Elas são mencionadas em textos bíblicos e no Talmude (uma coletânea central do judaísmo que reúne leis, tradições e comentários de rabinos), são celebradas na Nova Zelândia como Matariki, nome dado ao surgimento anual do aglomerado no céu que marca o Ano Novo maori, e também inspiram o logotipo da montadora Subaru, no Japão. Agora, a constelação ganha uma nova dimensão científica e simbólica.

De acordo com Andrew Mann, coautor do estudo, muitas estrelas próximas ao Sol também podem fazer parte de famílias estelares maiores, invisíveis até agora. O novo método baseado na rotação estelar pode revelar como esses grupos se formam e se dispersam ao longo do tempo.

Para os cientistas, compreender essas “famílias cósmicas” é essencial para reconstruir os ambientes onde nascem as estrelas e os planetas – e quem sabe, um dia, descobrir em qual grupo ancestral o próprio Sol surgiu.

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