Biólogos observaram formigas realizando amputações complexas em membros machucados de outras operárias para evitar infecções fatais. Essa estratégia médica surpreendente garante a sobrevivência e a funcionalidade da colônia de maneira coordenada.
O processo de diagnóstico e intervenção cirúrgica
Um estudo publicado na revista Current Biology detalha como a espécie Camponotus floridanus consegue identificar ferimentos graves e decidir pela remoção completa de um membro. O comportamento é cirúrgico: as formigas utilizam suas mandíbulas para cortar a perna ferida da companheira, impedindo que patógenos se espalhem pelo corpo do inseto.
Avaliação inicial
As formigas operárias analisam o local da lesão para determinar o risco de infecção sistêmica.
Assepsia bucal
A “cirurgiã” utiliza sua boca para lamber e limpar exaustivamente a ferida antes de qualquer corte.
Amputação
Caso a lesão seja no fêmur, a perna é removida em um processo que dura alguns minutos.
Critérios para a escolha entre cirurgia e limpeza
O que mais impressionou os pesquisadores foi a seletividade do tratamento. Nem todo ferimento resulta em amputação. A decisão parece basear-se na velocidade do fluxo da hemolinfa (o “sangue” dos insetos), que dita quão rápido uma infecção pode chegar ao corpo central.
Lesões no fêmur: Como o fluxo é mais lento nessa região, a amputação é realizada com sucesso para salvar o indivíduo.
Lesões na tíbia: O fluxo rápido torna a amputação ineficaz, então as formigas focam apenas na limpeza intensa da ferida.
Taxa de sucesso: Indivíduos tratados apresentam uma sobrevida significativamente maior do que aqueles deixados sem assistência.
Os dados coletados mostram que a intervenção médica não é um comportamento aleatório, mas uma adaptação evolutiva extremamente eficiente para manter a força de trabalho da colônia ativa e saudável.
A importância da cooperação para a saúde do grupo
Este nível de cuidado médico individual em uma sociedade de insetos revela uma complexidade social raramente vista. As formigas-carpinteiras não apenas reconhecem o sofrimento de suas semelhantes, mas possuem um protocolo de “primeiros socorros” que rivaliza com práticas de higiene observadas em vertebrados superiores.
Essa organização reduz o impacto de patógenos no ambiente fechado do formigueiro. Ao salvar uma operária, a colônia preserva recursos e energia, demonstrando que a medicina é uma ferramenta vital para a prosperidade da espécie.
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