É uma forma de Carnaval e também uma celebração do Réveillon. Mas não acontece nem na data carnavalesca tradicional, nem na virada de 31 de dezembro para 1º de janeiro: na Cidade do Cabo, a segunda maior da África do Sul, menestréis tomam as ruas para comemorar a entrada do ano um pouquinho depois, no dia 2.
O evento é o Tweede Nuwe Jaar – expressão em africâner, a língua local derivada do holandês, que significa “Segundo Ano Novo” – e também é conhecido como Kaapse Klopse.
Com origens em celebrações de escravizados e depois se convertendo em um espaço de resistência da cultura negra sul-africana durante o Apartheid, a festa virou um atrativo turístico da cidade, o que por vezes até modifica o calendário. Em 2026, na primeira vez em que o desfile desse “Carnaval” diferente foi transmitido ao vivo em cadeia nacional, os festejos ocorreram três dias após o habitual, em 5 de janeiro.
História da celebração
As origens do Tweede Nuwe Jaar podem ser traçadas ao século 19, quando os colonizadores holandeses dominavam a região. A entrada de um novo ano era um dos eventos mais comemorados pelos europeus e seus descendentes, mas a festa excluía os negros escravizados. Em vez disso, segundo a tradição, eles ganhavam uma folga no dia 2 de janeiro, e organizavam suas próprias comemorações com atraso.
Com o passar dos anos, as características dos festejos foram mudando, e esse Carnaval fora de época se tornou muito ligado à arte dos menestréis. Mas um aspecto da celebração seguiu o mesmo: era uma forma de congregar a população negra da Cidade do Cabo que, embora majoritária em termos numéricos, seguia socialmente marginalizada, mesmo após o fim da escravidão.
Kaapse Klopse: What a beautiful day celebrating Cape Town’s unique and special heritage. Dit was so lekker om soveel families en kinders te sien by die Tweede Nuwe Jaar! Congratulations to all of the troupes who prepared so meticulously! The City of Cape Town has invested R6 million into the Kaapse Klopse, the largest share of our annual events support budget @Democratic Alliance @cityofct @MR.MEYER
♬ original sound – Geordin Hill-Lewis
Nos anos do Apartheid, entre 1948 e 1994, a festa chegou a ser ameaçada de morte: desfiles nas ruas foram banidos e locais tradicionais onde aconteciam o ápice das apresentações, como o estádio esportivo de Green Point, foram declarados como recintos abertos apenas para brancos. O Kaapse Klopse precisou se adaptar, com festas em lugares alternativos e fora do circuito habitual. Embora a participação tenha caído, a tradição aguentou firme para renascer com força total quando o regime segregacionista chegou ao fim.
A tradição dos menestréis
Hoje, o “Carnaval” de 2 de janeiro – que nem sempre ocorre exatamente no dia 2 – é totalmente identificado com as apresentações de menestréis, que percorrem as ruas e estádios com instrumentos, cantorias e fantasias. É diferente da nossa escola de samba, mas há também alguns aspectos em comum: as trupes representam associações e comunidades, e há até uma competição para eleger quem fez o melhor desfile.
When Cape Town shows up, it SHOWS UP! The Minstrel Carnival was packed with colour, rhythm and fun vibes as the city celebrated culture, heritage and togetherness. Swipe through the joy, the music and the magic! #MinstrelCarnival #CapeTownVibes #ProudlyCapeTown #CityOfCapeTown #FunFilledEvent
♬ Spirit of Cape Town – Sahara Skylight
A tradição dos menestréis foi “importada”, mas não da Europa: acredita-se que a influência tenha vindo de grupos semelhantes vindos dos Estados Unidos, que excursionavam pela Cidade do Cabo e outros destinos da África do Sul na segunda metade do século 19. Quem festejava o Tweede Nuwe Jaar gostou da ideia, e passou a organizar apresentações semelhantes. Hoje, dezenas de grupos de menestréis participam do desfile oficial, que reúne quase 15 mil artistas todos os anos.
Outro Carnaval
Há 15 anos, a Cidade do Cabo também organiza um Carnaval com apresentações mais próximas daquilo a que estamos habituados no Brasil. Chamado de Cape Town Carnival, o evento acontece tradicionalmente em uma noite de março. A próxima edição ainda não foi anunciada, mas, em 2025, os festejos contaram até com a participação da brasileira Erika Januza, ex-reinha de bateria da Viradouro no Carnaval carioca.
Veja um guia completo da Cidade do Cabo
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