Os Estados Unidos anunciaram uma mudança importante no calendário de vacinação infantil. A partir das novas diretrizes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o país deixou de recomendar vacinas contra 17 doenças para todas as crianças e passou a indicar proteção universal contra apenas 11 enfermidades.
Segundo o governo americano, a decisão busca alinhar o país a modelos internacionais, especialmente europeus. Ainda assim, especialistas reagiram com preocupação. Enquanto isso, pais tentam entender o que muda, o que permanece e quais riscos essa redução pode trazer para a imunização infantil.
O tema ganhou forte repercussão política, já que a reformulação atende a uma ordem executiva do presidente Donald Trump, com apoio do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., conhecido por seu histórico crítico em relação às vacinas.
Vacinas infantis: o que continua recomendado para todas as crianças
De acordo com o CDC, o novo pacote de vacinas infantis consideradas essenciais inclui proteção contra doenças como sarampo, caxumba, rubéola, poliomielite, coqueluche, tétano, difteria, Haemophilus influenzae tipo B (Hib), pneumococo, HPV e varicela.
Ou seja, enfermidades com alto potencial de surtos graves seguem no centro do calendário de vacinação. Ainda assim, outras vacinas importantes passaram a depender de avaliação individual, levando em conta fatores de risco e decisão compartilhada entre médicos e famílias.
Para mais detalhes, o CDC reúne as recomendações atualizadas neste endereço:
https://www.cdc.gov/vaccines/schedules/index.html
O que fica de fora e por quê, segundo o governo
Vacinas contra hepatite A, hepatite B, dengue, meningite (ACWY e B) e vírus sincicial respiratório (VSR) agora entram como recomendação condicionada. Já imunizantes contra Covid-19, gripe e rotavírus ficam totalmente a critério de pais e médicos.
Segundo o Departamento de Saúde dos EUA, o país comparou seu modelo ao de 20 nações desenvolvidas. A justificativa oficial afirma que os Estados Unidos eram um “ponto fora da curva” em número de doses e doenças cobertas.
No entanto, entidades médicas alertam: menos vacinas não significam, necessariamente, mais segurança.
Como funciona a imunização infantil na Europa
Na Europa, os calendários de imunização infantil costumam ser mais enxutos do que o dos Estados Unidos, mas seguem lógicas bem diferentes entre si. Cada país define suas prioridades a partir do perfil da população, da circulação de doenças e da capacidade do sistema público de saúde.
Na França, existem 11 vacinas obrigatórias para crianças, exigidas para frequência em creches e escolas. Elas protegem contra doenças como difteria, tétano, poliomielite, coqueluche, hepatite B, sarampo, caxumba e rubéola. Já vacinas como rotavírus, hepatite A e varicela ficam fora da obrigatoriedade e entram como recomendação médica, de acordo com o risco individual. O modelo francês aposta em alta adesão, acesso universal e vigilância epidemiológica rigorosa.
EUA pretende se igualar à Europa em número de vacinas infantis – Crédito: FreePik
A Alemanha segue um caminho intermediário. O país não tem um calendário infantil totalmente obrigatório, mas tornou a vacina contra o sarampo obrigatória desde 2020 para crianças que frequentam creches, escolas e outros ambientes coletivos. A medida surgiu após surtos da doença e tem como objetivo proteger crianças pequenas e pessoas que não podem se vacinar. Para as demais vacinas, o governo aposta em campanhas de conscientização e na confiança entre famílias e médicos.
No Reino Unido, o sistema funciona majoritariamente por recomendação, e não por obrigação legal. O NHS oferece gratuitamente vacinas contra cerca de 10 doenças na infância, incluindo sarampo, poliomielite e meningite. Ainda assim, autoridades de saúde monitoram quedas na adesão, especialmente após a pandemia, e reforçam campanhas sempre que há risco de novos surtos.
Por que pediatras criticam o novo calendário de vacinação
Entidades como a Academia Americana de Pediatria afirmam que reduzir o calendário de vacinação pode gerar confusão, diminuir a cobertura e aumentar o risco de doenças já controladas.
Além disso, médicos reforçam que os Estados Unidos enfrentam desafios diferentes dos países europeus, como maior desigualdade no acesso à saúde. Portanto, copiar modelos sem adaptação pode enfraquecer a imunização infantil.
É justamente aqui que está a principal preocupação dos especialistas — e também a informação mais importante: menos vacinas recomendadas não significam menos doenças circulando.
Resumo: A redução no número de vacinas infantis nos EUA busca alinhar o país à Europa, mas levanta alertas médicos. Embora países como França e Dinamarca tenham calendários menores, o contexto é diferente. Especialistas temem queda na cobertura e aumento de doenças evitáveis. A decisão reacende o debate sobre ciência, política e saúde pública.
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