Todo início de ano traz aquela promessa clássica de colocar o corpo em movimento. A ideia costuma vir acompanhada de boa intenção, mas também de dúvidas, insegurança e receio de não conseguir manter o ritmo. Para quem está completamente parado, começar a praticar atividade física pode parecer mais complexo do que realmente é, desde que o processo seja conduzido com cuidado.
Segundo André Albuquerque, mestre em Educação Física e consultor da Probiótica, o principal erro de quem começa do zero é tentar acelerar etapas. A vontade de compensar o tempo parado costuma levar a treinos longos e intensos logo nas primeiras semanas, o que aumenta o risco de lesões, dores persistentes e abandono precoce da prática.
Por que começar devagar faz diferença
O corpo precisa de tempo para se adaptar a novos estímulos. Força, resistência e coordenação não se constroem de um dia para o outro. “Sessões mais curtas, movimentos básicos e foco na técnica permitem que o organismo responda melhor ao treino”, explica André. A progressão gradual reduz o impacto sobre articulações e músculos e ajuda a criar uma relação mais positiva com a atividade física.
Nos primeiros dias, o objetivo não é alcançar mudanças visíveis no espelho, mas criar regularidade. Essa adaptação inicial prepara o corpo para evoluir com mais segurança nas semanas seguintes.
Os primeiros 30 dias e a fase de adaptação
O primeiro mês costuma ser decisivo para quem está começando. Nesse período, a prioridade deve ser estabelecer uma rotina possível de ser mantida. “Constância vem antes da intensidade”, afirma André. Quando o treino é seguro e adequado ao nível do praticante, os benefícios iniciais aparecem rápido, como mais disposição, melhora do sono e maior mobilidade no dia a dia.
Esses sinais ajudam a reforçar o hábito e aumentam a motivação para continuar, mesmo quando a empolgação inicial diminui.
Quais atividades funcionam melhor no início
Para iniciantes, a combinação de exercícios de fortalecimento e atividades aeróbicas tende a trazer bons resultados. Musculação, caminhada e corrida leve entram entre as opções mais indicadas. Duas a três sessões por semana, com duração entre 30 e 40 minutos, costumam ser suficientes para iniciar o processo de adaptação sem sobrecarregar o corpo.
O mais importante é escolher modalidades que se encaixem na rotina e sejam viáveis no longo prazo.
Como começar a atividade física? Foto: FreePik
Comparações atrapalham mais do que ajudam
Um dos obstáculos mais comuns no início é a comparação com quem já treina há anos ou com treinos avançados vistos nas redes sociais. Cada organismo responde de forma diferente aos estímulos físicos, e tentar reproduzir exercícios incompatíveis com o próprio nível aumenta o risco de frustração.
“Começar devagar não significa evoluir pouco, significa evoluir de forma consistente”, reforça André. O progresso acontece quando o corpo recebe estímulos adequados e tempo suficiente para se adaptar.
Como evitar dores e lesões no começo
Dores musculares leves podem surgir nos primeiros dias, especialmente após um período prolongado de sedentarismo. Já desconfortos articulares ou dores persistentes merecem atenção. Controlar a intensidade, respeitar os dias de descanso e priorizar a execução correta dos movimentos são medidas essenciais para reduzir riscos.
Ignorar sinais do corpo pode comprometer a continuidade da prática e transformar um bom começo em interrupção precoce.
Quando o acompanhamento profissional é indicado
Pessoas muito sedentárias, com limitações de movimento ou histórico de lesões se beneficiam ainda mais do acompanhamento de um profissional de Educação Física. Exercícios simples, com amplitudes menores e cargas leves, ajudam a criar uma base segura.
“A orientação adequada garante segurança, adaptação correta e evolução ao longo do tempo”, afirma André. Esse suporte pode fazer diferença tanto na prevenção de lesões quanto na manutenção do hábito.
Criar rotina é parte do treino
A constância também depende de fatores práticos. Treinar perto de casa, escolher horários compatíveis com o dia a dia e estabelecer metas realistas facilitam a continuidade. Pequenas conquistas, como executar melhor um exercício ou se sentir mais disposto, ajudam a manter o compromisso nos primeiros meses.
No longo prazo, respeitar o processo é o que permite avançar. “Quem constrói uma base sólida cria um hábito que sustenta resultados ao longo do ano”, conclui André.
Resumo:
Começar atividade física do zero exige progressão, paciência e respeito ao próprio ritmo. Treinos curtos, regulares e bem orientados reduzem riscos e aumentam as chances de manter o hábito. Constância e segurança são mais eficazes do que intensidade precoce.
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