Injeção contra HIV é aprovada pela Anvisa – veja como funciona

Uma decisão tomada nesta semana pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária abriu caminho para uma nova forma de prevenção ao HIV no Brasil. A aprovação envolve um medicamento injetável de longa duração, indicado para pessoas a partir dos 12 anos que estejam sob maior risco de infecção. A novidade chama atenção não apenas pela tecnologia envolvida, mas pela promessa de facilitar a adesão à prevenção em um cenário onde o uso contínuo de medicamentos ainda é um desafio.

Apesar da autorização, o medicamento ainda não está disponível na rede pública. O anúncio marca o início de um processo que inclui avaliação de preço e análise de incorporação ao Sistema Único de Saúde.

Não é vacina!

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o uso do Sunlenca, nome comercial do lenacapavir, um antirretroviral inovador indicado para a prevenção da infecção pelo HIV-1 por via sexual. O medicamento pode ser utilizado por adolescentes e adultos com peso mínimo de 35 quilos, desde que estejam em situação de risco para contrair o vírus.

De acordo com a Anvisa, trata-se de um fármaco de primeira classe, com um mecanismo de ação diferente dos antirretrovirais tradicionais. Ele atua sobre o capsídeo do HIV, estrutura essencial para a replicação do vírus, interferindo em múltiplas etapas do seu ciclo de vida.

Como funciona a aplicação

O medicamento pode ser administrado de duas formas. A principal inovação está na injeção aplicada apenas duas vezes ao ano. Há também uma versão oral, em comprimido, utilizada no início do esquema terapêutico.

Essa periodicidade mais espaçada é vista como um avanço importante, especialmente para pessoas que enfrentam dificuldades em manter o uso diário de medicamentos preventivos.

Por que a novidade é relevante para a prevenção?

A estratégia conhecida como profilaxia pré-exposição, a PrEP, já é utilizada no Brasil e faz parte das políticas públicas de prevenção ao HIV. Ela consiste no uso de antirretrovirais por pessoas que não vivem com o vírus, mas que apresentam maior vulnerabilidade à infecção.

A PrEP integra a chamada prevenção combinada, que reúne diferentes medidas, como testagem regular, uso de preservativos, tratamento antirretroviral para pessoas soropositivas, profilaxia pós-exposição e cuidados específicos durante a gestação.

Segundo a Anvisa, a chegada de um medicamento semestral amplia esse arsenal. “Com a aprovação, o Sunlenca se torna uma nova ferramenta para reduzir o risco de transmissão do HIV-1, oferecendo um regime que facilita a adesão e reduz a carga sobre os sistemas de saúde”, informou a agência em nota oficial.

O que ainda falta para chegar ao SUS

Mesmo com o registro concedido, o medicamento ainda precisa cumprir etapas regulatórias. A definição do preço máximo será feita pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. Em seguida, a incorporação ao SUS será analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde e pelo Ministério da Saúde.

Somente após esse processo o medicamento poderá ser oferecido gratuitamente na rede pública, como acontece hoje com a PrEP oral.

O que dizem os estudos sobre eficácia

Ensaios clínicos recentes apontam taxas elevadas de eficácia do lenacapavir na prevenção do HIV. Os resultados indicam redução total da incidência do vírus em mulheres cisgênero em um dos estudos, além de desempenho superior ao da PrEP oral diária em outros grupos avaliados.

Esses dados levaram a Organização Mundial da Saúde a recomendar o medicamento, no ano passado, como a alternativa mais promissora disponível atualmente, logo após uma eventual vacina contra o HIV.

Um avanço que ainda depende de acesso

Especialistas avaliam que a aprovação representa um avanço importante na resposta ao HIV, especialmente em um país que concentra grande parte da prevenção e do tratamento na rede pública. Ao mesmo tempo, o impacto real da novidade dependerá da velocidade com que ela poderá ser incorporada ao SUS e chegar às populações mais vulneráveis.

Resumo:
A Anvisa aprovou uma injeção semestral para prevenção do HIV, indicada para pessoas a partir de 12 anos em situação de risco. O medicamento atua de forma inovadora e apresenta alta eficácia em estudos. Antes de chegar ao SUS, ainda passará por avaliação de preço e incorporação ao sistema público.

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