Nesta quarta-feira (21), às 13h (pelo horário de Brasília), Mercúrio iniciará uma fase que os astrônomos chamam de “conjunção solar superior”, passando entre a Terra e o Sol e ficando totalmente inobservável por várias semanas enquanto se perde no brilho da nossa estrela.
De acordo com o guia de observação astronômica In-The-Sky.org, isso acontece uma vez em cada ciclo sinódico de Mercúrio, o período necessário para um planeta chegar à mesma posição relativa ao Sol, quando observado a partir da Terra – que no caso dele é de 116 dias.
Na aproximação máxima com o Sol, Mercúrio vai estar em uma separação de apenas 2°03′ (dois graus e três minutos de arco) do astro, sumindo de vista por um longo período, enquanto estiver imerso na luminosidade solar. Essa fase marca o “desaparecimento” do planeta no céu noturno e sua transição para se tornar um objeto noturno nas próximas semanas.
Mercúrio estará invisível no céu nos próximos dias, pois está passando “atrás” do Sol, sendo escondido no brilho do astro. Crédito: Andrei Armiagov – Shutterstock. Edição: Olhar Digital
Mas, quando ele volta a poder ser observado? Segundo Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital, Mercúrio retorna à paisagem celeste no início de fevereiro.
Mercúrio vai estar mais distante da Terra
Mercúrio também passará pelo apogeu – seu ponto mais distante da Terra – quase ao mesmo tempo, atingindo uma distância de 1,42 Unidades Astronômicas (UA) daqui.
Isso significa que o menor planeta do Sistema Solar estará a 213 milhões de km de distância da Terra, o que o deixaria muito menor às nossas vistas, caso pudesse ser observado.
Configuração do céu no momento da conjunção solar superior de Mercúrio, quando o planeta estará na distância máxima em relação à Terra. Crédito: SolarSystemScope
Vale destacar, a título de curiosidade, que Mercúrio tem uma característica que muitas pessoas desconhecem: uma cauda. Segundo a NASA, a fina atmosfera do planeta é composta principalmente de oxigênio (O2), hidrogênio (H2), hélio (He), potássio (K) e pequenas partículas de sódio (Na), que brilham quando excitadas pela luz solar. A luz do Sol também libera e separa esses átomos provenientes da superfície.
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Planeta mais próximo do Sol está encolhendo
Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, é marcado por calor, radiação e exposição constante ao vento solar. A temperatura local varia de 430°C no lado ensolarado a -180°C no lado noturno. Ele é um pouco maior que a Lua e bem semelhante a ela: sem ar, rochoso e repleto de pequenas e grandes crateras de impacto.
Que Mercúrio está encolhendo, isso a ciência já sabe há anos. No entanto, especialistas divergem sobre a extensão desse encolhimento. Um artigo publicado em agosto passado por pesquisadores da Universidade da Geórgia apresenta um novo método que promete medir o processo com mais precisão. Saiba mais aqui.
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