A matemática norte-americana Gladys West, reconhecida como a “mãe do GPS“, morreu aos 95 anos no domingo (17). A notícia foi confirmada pela família e pela Universidade Estadual da Virgínia nesta terça-feira (20), mas a causa do falecimento não foi divulgada.
West foi a peça-chave para a criação do sistema de posicionamento global ao desenvolver os modelos matemáticos que permitem localizar qualquer ponto no planeta. Sua trajetória na Marinha dos Estados Unidos, iniciada em 1956, superou as barreiras do preconceito racial e de gênero numa época de segregação nos Estados Unidos.
Cálculos da matemática Gladys West abriram caminho para a precisão do GPS
A cientista foi responsável por programar o computador IBM 7030 para executar cálculos complexos sobre a forma real da Terra (geoide). Esse trabalho permitiu entender como as variações da gravidade e das marés afetam o formato do planeta, algo essencial para que os satélites de GPS entreguem a localização de forma precisa. Sem essa base matemática, a tecnologia que usamos hoje em aplicativos de mapas, transporte e entregas, por exemplo, não funcionaria.
We mourn the passing of VSU alumna Dr. Gladys West, a trailblazer whose brilliance helped shape modern GPS technology. Her legacy of excellence, innovation, and service will forever inspire Trojan Nation. pic.twitter.com/8vRpKtgZJ8
— Virginia State University (@VSU_1882) January 19, 2026
A história de West começou numa fazenda de tabaco na Virgínia, onde ela decidiu que os estudos seriam seu caminho para uma vida diferente. Ela conseguiu uma bolsa integral para a Universidade Estadual da Virgínia, onde se formou como a primeira da turma. Na Marinha, ela foi a segunda mulher negra contratada como programadora na base de Dahlgren, onde trabalhou por 42 anos até se aposentar em 1998. Mesmo com essa importância toda, o reconhecimento mundial só veio em 2018, quando ela entrou para o Hall da Fama dos Pioneiros do Espaço.
Além do legado tecnológico, West mostrou que nunca é tarde para aprender. Isso porque ela conquistou seu doutorado aos 70 anos, após enfrentar um derrame. Em entrevistas recentes, ela contou que, na época das pesquisas, não tinha noção de que seus cálculos seriam usados por bilhões de pessoas em seus celulares. Gladys West deixa três filhos e sete netos.
(Essa matéria usou informações da Universidade Estadual da Virgínia.)
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