Maia 200: Microsoft aposta em chip próprio para acelerar IA na nuvem

A Microsoft anunciou, nesta segunda-feira (26), o Maia 200, seu novo chip criado para lidar com tarefas que envolvem inteligência artificial (IA). Ele funciona como “acelerador” focado na etapa de inferência, quando a IA já treinada processa comandos e gera respostas para usuários.

Esse componente é fabricado com tecnologia de três nanômetros da TSMC, o que significa que seus circuitos são extremamente pequenos. Os objetivos da empresa são: 1) fazer com que seus serviços de IA na nuvem Azure funcionem de forma mais rápida e barata; e 2) diminuir a necessidade de comprar peças de outras empresas.

O chip Maia 200 é mais potente que concorrentes e economiza recursos, diz Microsoft

Nos testes técnicos, o chip alcançou a marca de 10 petaFLOPS (medida de velocidade de cálculo) em operações de precisão simplificada. Isso faz com que ele tenha um desempenho três vezes maior que o processador equivalente da Amazon (Trainium 3) e supere também a tecnologia atual do Google (TPU de sétima geração), segundo a Microsoft.

O chip Maia 200 é fabricado com tecnologia de três nanômetros da TSMC, o que significa que seus circuitos são extremamente pequenos (Imagem: Divulgação)

Para evitar que o processamento trave, a empresa equipou o chip com uma memória rápida de 216 GB. De acordo com a Microsoft, isso permite que apenas uma unidade do Maia 200 rode os maiores modelos de IA que existem hoje, com espaço de sobra para programas mais complexos que surgirem no futuro.

Na prática, o chip entrega 30% mais desempenho por cada dólar investido em comparação aos sistemas que a empresa usava antes, segundo a Microsoft. Essa economia acontece porque o chip foi desenhado para manter os dados “perto” do processador, o que reduz o número de máquinas necessárias para executar a mesma tarefa.

Essa estrutura foi testada em simuladores digitais antes da peça física ser fabricada. Isso permitiu que os engenheiros ajustassem o funcionamento do silício e dos programas de computador ao mesmo tempo.

Nova tecnologia da Microsoft já ajuda o Copilot e terá atualizações constantes

O novo chip já funciona em data centers da Microsoft nos Estados Unidos para sustentar o Copilot, plataforma de IA da empresa. O Maia 200 também ajuda a criar “dados sintéticos”, informações artificiais usadas para ensinar e melhorar as próximas versões da IA da companhia.

O novo chip da Microsoft já funciona em data centers da empresa nos EUA usados para fazer o Copilot funcionar (Imagem: Mijansk786/Shutterstock)

Para dar conta das demandas sem superaquecer, as estantes onde os chips ficam instalados usam um sistema de resfriamento líquido, informou a Microsoft. Além disso, a conexão entre os chips usa cabos de rede padrão (Ethernet), o que facilita a montagem de grandes grupos de processadores sem depender de tecnologias exclusivas e caras.

A empresa também criou ferramentas para que programadores adaptem seus sistemas para esse novo hardware. O pacote de softwares inclui um simulador e uma calculadora de custos, o que deve ajudar desenvolvedores a explorar como otimizar seus aplicativos antes de começar a gastar dinheiro com processamento.

Por fim, a Microsoft informou que o projeto Maia terá várias gerações. Ou seja, a empresa já trabalha em sucessores do modelo 200. A ideia é que cada novo chip estabeleça metas de eficiência maiores para garantir que o processamento de IA continue a evoluir em escala global.

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