Perder-se entre praias lotadas, pratos de comida fotografados antes da primeira mordida, celulares erguidos diante de paisagens que mal são olhadas. É esse cotidiano aparentemente banal que atravessa a exposição Global Warning, dedicada a Martin Parr, que ficará em cartaz no Jeu de Paume, em Paris, de 30 de janeiro a 24 de maio.
A mostra revisita cinco décadas de trabalho de Martin Parr e transforma o cotidiano em um retrato ácido das contradições do mundo contemporâneo. Em caráter de retrospectiva póstuma, a exposição reúne cerca de 180 imagens, atravessando séries produzidas desde o fim dos anos 1970 até trabalhos mais recentes, e evidencia como o olhar irônico de Parr construiu, ao longo do tempo, uma leitura nada confortável da vida moderna.
O humor como lente crítica
Reconhecido por seu humor britânico afiado e por cores saturadas que atraem o olhar antes de provocar desconforto, Parr construiu um arquivo obsessivo da vida comum. O fotógrafo nunca precisou de cenas extraordinárias para dizer algo importante. Seu território sempre foi o ordinário, com temas como o o turismo de massa, o consumo excessivo, o lazer transformado em espetáculo e a relação ambígua entre humanos, tecnologia e natureza.
Em Global Warning, esses temas são organizados em núcleos que dialogam com as urgências ambientais e sociais do presente. Do preto e branco às cores vibrantes, as fotos combinam flash direto e enquadramentos fechados, chamando atenção pelo impacto visual e provocando, ao mesmo tempo, reconhecimento e desconforto.
Sem slogans ou discursos, Parr expõe os paradoxos do mundo contemporâneo: prazer e excesso, lazer e degradação, consumo e acúmulo de resíduos. Assista ao vídeo com obras do artista que integram a exposição:
Na exposição, séries emblemáticas de Parr sobre turismo globalizado e consumo de massa ganham uma nova leitura, atravessadas pelo debate ambiental. As cenas, captadas em diferentes partes do mundo – da Irlanda aos Estados Unidos, da América Latina ao Japão, da Índia aos Emirados Árabes Unidos -, repetem gestos, rituais e enquadramentos, mostrando que o problema não é local, mas global. Resorts, shoppings, filas intermináveis e paisagens moldadas para o entretenimento se tornam símbolos de uma sociedade que transforma tudo em experiência consumível.
Um legado que atravessa gerações
Falecido em dezembro de 2025, aos 73 anos, Martin Parr deixou um legado vasto e influente. Membro da cooperativa Magnum Photos, seu trabalho está registrado em mais de 100 livros e integra os acervos de instituições como o Museu de Arte Moderna de Nova York, a Tate em Londres e o Centro Pompidou, em Paris. Parr também recebeu o título de CBE (Comandante da Ordem do Império Britânico) da Rainha Elizabeth II, em reconhecimento aos seus serviços à fotografia.
No Jeu de Paume, a exposição também funciona como homenagem à trajetória de Martin Parr, marcada por uma fidelidade a um olhar direto, irônico e atento aos detalhes do cotidiano.
Vistas em conjunto, as imagens da exposição revelam como hábitos como viajar, consumir e registrar tudo ajudaram a moldar um planeta em desequilíbrio. Sem alarmismo, Parr constrói um alerta silencioso, feito de cenas familiares demais para serem ignoradas.
Serviço
Onde? Jeu de Paume – 1 place de la Concorde – Jardin des Tuileries – Paris
Quando? De 30 de janeiro a 24 de maio. Terça-feira, das 11h às 21h; quarta-feira a domingo, das 11h às 19h. Fechado às segundas-feiras.
Quanto? Inteira por € 14. Entrada gratuita para menores de 12 anos.
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