Saúde mental influencia diretamente no funcionamento cardíaco

As doenças cardiovasculares seguem como uma das principais causas de morte no Brasil, responsáveis por cerca de 400 mil óbitos anuais, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A cada 90 segundos, um brasileiro morre em decorrência dessas enfermidades.

Além de fatores já conhecidos, como tabagismo, hipertensão, diabetes e sedentarismo, especialistas alertam que o estresse e os transtornos mentais também elevam os riscos para o coração.

A Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj) explica que o excesso de hormônios como cortisol e adrenalina acelera os batimentos cardíacos e aumenta a pressão arterial, favorecendo infartos e AVCs.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com maior prevalência de transtornos ansiosos no mundo: 9,3% da população, cerca de 18,6 milhões de pessoas.

Já a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) aponta que quem sofre de transtorno de ansiedade generalizada tem 30% mais risco de desenvolver doenças cardiovasculares. A integração entre psiquiatras, psicólogos e cardiologistas é considerada essencial para diferenciar sintomas de ansiedade de condições cardíacas reais, como palpitações e dor no peito, e assim reduzir complicações.

Novas pesquisas também levantam preocupação sobre os efeitos colaterais de tratamentos.

Um estudo apresentado no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia analisou dados de moradores da Dinamarca e constatou que o uso de antidepressivos está associado ao aumento do risco de morte súbita cardíaca (MSC). Indivíduos que utilizaram esses medicamentos por até cinco anos tiveram risco 56% maior, e os que usaram por seis anos ou mais chegaram a registrar até 2,2 vezes mais risco.