Oceanos de rocha derretida escondidos nas profundezas de planetas chamados superterras podem funcionar como escudo. É o que revela um estudo da Universidade de Rochester, nos EUA. Segundo a pesquisa, essas camadas de magma geram campos magnéticos fortes o suficiente para barrar a radiação do espaço, que é prejudicial à vida. O processo é diferente do que ocorre na Terra, onde nossa proteção magnética vem do movimento do ferro líquido no centro do planeta.
Essa descoberta muda a forma como pesquisadores procuram por planetas habitáveis fora do nosso Sistema Solar. Como as superterras são os planetas mais comuns da galáxia e muitas estão em áreas onde poderia existir água líquida, saber que elas possuem um “escudo invisível” aumenta as chances de encontrarmos vida extraterrestre. Sem essa proteção magnética, a atmosfera de um planeta pode ser “soprada” pelos ventos das estrelas, o que torna o ambiente seco e sem vida.
Pressão extrema transforma rocha em metal e cria proteção magnética
Para entender como superterras (exoplanetas maiores do que a Terra) funcionam por dentro, os cientistas usaram lasers potentes. Eles esmagaram amostras de rocha, o que recriou a pressão extrema encontrada nas profundezas das superterras. Assim, os pesquisadores descobriram que, sob esse peso esmagador, a rocha derretida muda de comportamento e passa a conduzir eletricidade como se fosse metal. Esse magma “metálico” em movimento cria um motor elétrico natural, chamado de dínamo, que gera o campo magnético ao redor do planeta.
Essa proteção parece ser mais comum em planetas com entre três e seis vezes o tamanho da Terra. Nesses mundos gigantes, o calor e a pressão interna são tão altos que o oceano de magma pode durar bilhões de anos sem solidificar. Na Terra, existiu uma camada parecida logo após sua formação, mas ela esfriou e virou rocha sólida há muito tempo. Ou seja: por serem maiores, superterras conseguem manter esse “escudo de magma” ativo por muito mais tempo que o nosso planeta.
Os cálculos mostram que o campo magnético criado por esse magma pode ser até dez vezes mais forte do que o gerado pelo núcleo da Terra. Isso explica por que esses planetas podem ser seguros para a vida, mesmo que não tenham um centro de ferro líquido igual ao nosso. Em nosso Sistema Solar, planetas como Marte e Vênus não têm esse escudo, o que os torna mundos áridos e desprotegidos contra a radiação solar.
Apesar de ainda ser difícil “enxergar” o magnetismo de planetas tão distantes, os cientistas acreditam que novas tecnologias permitirão confirmar essas previsões em breve. Na prática, essa nova peça do quebra-cabeça espacial pode colocar superterras no topo da lista de prioridades para a exploração científica. E, quem sabe, espacial.
(Essa matéria usou informações de Nature Astronomy e Universidade de Rochester.)
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