Satélite russo se fragmenta e gera alerta de detritos

Um satélite russo usado para monitorar outras espaçonaves em órbita alta da Terra parece ter se fragmentado após ser desativado e deslocado para uma chamada “órbita cemitério”. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (30), com base em imagens ópticas obtidas por sistemas de observação em solo.

O caso envolve o Luch/Olymp, um satélite lançado em 2014 e identificado no catálogo da NORAD pelo número 40258. Após sua aposentadoria, em outubro de 2025, o equipamento foi movido para uma órbita alguns quilômetros acima da faixa geoestacionária, região situada a cerca de 35.786 quilômetros acima da linha do Equador, onde normalmente operam satélites de comunicação e vigilância.

Satélite russo teria se fragmentado em órbita (Imagem: Christoph Burgstedt / Shutterstock.com)

Fragmentação em órbita e novos objetos detectados

De acordo com a empresa suíça de monitoramento espacial s2A systems, imagens captadas por sensores em solo indicam que o satélite sofreu um evento de fragmentação e começou a girar de forma descontrolada. Após o episódio, outros objetos passaram a ser observados nas proximidades do ponto onde o Luch/Olymp estava localizado.

A short time lapse of the fragmentation event on LUCH (OLYMP) #40258 that took place today, 2026-01-30 from 06:09:03.486 UTC. pic.twitter.com/0bwbNvlnCL

— s2a systems (@s2a_systems) January 30, 2026

A companhia informou, por meio de uma publicação na rede social X (antigo Twitter), que a fragmentação teria ocorrido por volta das 06h09 (GMT) de 30 de janeiro (3h09 no horário de Brasília). A presença de detritos em uma região já congestionada da órbita alta reacendeu preocupações sobre os riscos para outros satélites que operam na mesma faixa.

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Possível impacto de detritos preocupa especialistas

O astrofísico e rastreador de satélites Jonathan McDowell, em declaração ao site Space.com, afirmou que a desintegração pode ter sido causada por um impacto externo de detritos espaciais. Segundo ele, fontes internas de energia, como combustível e baterias, deveriam ter sido esvaziadas no momento em que o satélite foi retirado de operação.

McDowell ressaltou que não é possível descartar completamente uma falha no processo de desativação, conhecido como passivação. Ainda assim, destacou que um possível choque com lixo espacial pode indicar que o ambiente de detritos na órbita geoestacionária e na órbita cemitério acima dela é mais grave do que se imaginava.

Embora o primeiro Luch/Olymp esteja fora de operação, a Rússia lançou um segundo satélite da mesma série em 2023. Nos últimos anos, Rússia, Estados Unidos e China têm utilizado satélites posicionados na órbita geoestacionária para se aproximar e inspecionar equipamentos de outros países, ampliando a atenção internacional sobre segurança e sustentabilidade no espaço.

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