O retorno tripulado à Lua enfrenta mais um capítulo de desafios técnicos. A NASA foi forçada a adiar a missão Artemis 2 para março, após um “fantasma” conhecido — vazamentos intermitentes de hidrogênio líquido — interromper um teste de abastecimento crucial do foguete Space Launch System (SLS). O problema é um eco preciso das dificuldades que atrasaram a missão não-tripulada Artemis 1 por meses em 2022.
O teste, chamado de “ensaio geral molhado”, simulou toda a contagem regressiva de lançamento. A operação foi interrompida a apenas 5 minutos e 15 segundos do “T-0” simulado, quando um pico em um vazamento de hidrogênio no mesmo conector rápido que apresentou falhas na Artemis 1 acionou os procedimentos de segurança automáticos. “Assim que iniciamos a pressurização, percebemos que o vazamento dentro da cavidade surgiu muito rapidamente”, explicou Charlie Blackwell-Thompson, diretora de lançamento do Artemis, em coletiva.
Apesar do revés, oficiais da NASA enquadraram o teste como um sucesso parcial e vital para coleta de dados. Diferentemente da campanha anterior, as equipes conseguiram, pela primeira vez, abastecer completamente os tanques do SLS em uma única tentativa e coletar informações valiosas até o momento da falha. “O fato de termos conseguido atingir o nível máximo de combustível… foi um enorme sucesso”, afirmou Lori Glaze, administradora associada da NASA.
A pergunta que paira no ar é: por que o mesmo problema reaparece? Executivos da NASA apontam que cada foguete SLS é um veículo único e que as vibrações e tensões sofridas durante o lento transporte de 12 horas até a plataforma podem afetar o assentamento das vedações criogênicas. “Esse ambiente de lançamento é muito complexo”, disse Amit Kshatriya, administrador associado da NASA.
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A boa notícia, segundo Blackwell-Thompson, é que as lições da Artemis 1 permitirão que os reparos sejam feitos diretamente na Plataforma 39B, sem a necessidade de um demorado retorno ao Edifício de Montagem de Veículos (VAB). “Mostramos que podemos realizar esse trabalho na plataforma e estar prontos para o lançamento”, declarou.
A tripulação da missão Artemis 2: Victor Glover (que vai se tornar a primeira pessoa negra a chegar à órbita da Lua), Christina Kech (a primeira mulher) e Reid Wiseman (os três, da NASA), além de Jeremy Hansen, astronauta da Agência Espacial Canadense. Crédito: NASA
O adiamento afeta diretamente a tripulação histórica — os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch (NASA) e Jeremy Hansen (CSA) —, que suspenderam os preparativos finais de viagem. A NASA agora mira as janelas de lançamento entre 6 e 9 de março, e no dia 11 do mesmo mês. A agência planeja realizar um segundo ensaio geral de abastecimento antes de confirmar uma data final.
O foguete Artemis 2 da NASA, com o objetivo de levar a Lua, na plataforma de lançamento do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. (Crédito da imagem: NASA)
O administrador da NASA, Jared Isaacman, resumiu a filosofia por trás dos testes difíceis: “É exatamente por isso que realizamos um ensaio geral na água. Esses testes são projetados para identificar problemas antes do voo”. A corrida para retornar humanos à vizinhança lunar após meio século, portanto, continua, com a segurança como bússola inflexível, mesmo que a linha de chegada se mova um pouco mais para frente no calendário.
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