O avanço da desertificação no Brasil pode ser ainda mais amplo do que os mapas oficiais indicam hoje. Uma pesquisa de doutorado desenvolvida no Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou que mudanças climáticas combinadas à intensificação do uso humano do solo estão ampliando as áreas de risco no Nordeste do país.
O estudo foi conduzido pela pesquisadora Mariana de Oliveira, como parte de um grupo que investiga como variações climáticas e a influência humana afetam solos, vegetação e recursos hídricos. O projeto criou um modelo específico para estimar o risco de desertificação nas condições geográficas brasileiras.
Para construir o modelo, Oliveira utilizou o método de regressão logística, combinando dados empíricos, mapas temáticos e imagens de satélite. A análise considerou cinco variáveis consideradas críticas para o avanço da desertificação: temperatura da superfície terrestre, formas de manejo do solo, cobertura vegetal, média de precipitação e densidade populacional.
A partir do cruzamento de informações, o trabalho mapeou a probabilidade de ocorrência do fenômeno em diferentes regiões do país.
Desertificação avança no Nordeste
Entre os resultados, o estudo identificou uma possível nova mancha de desertificação em uma área que ainda não havia sido mapeada oficialmente no Ceará, além de outras zonas no estado com elevado risco de degradação ambiental.
Segundo a pesquisa, o cenário observado reforça a tendência de expansão do fenômeno para além das áreas historicamente afetadas, impulsionado tanto por alterações no clima quanto por práticas inadequadas de uso do solo.
Para Flávio Rodrigues do Nascimento, coordenador do Departamento de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a metodologia desenvolvida representa um avanço importante. De acordo com ele, o modelo contribui para o monitoramento mais eficiente de áreas degradadas e permite um diagnóstico mais preciso das regiões mais vulneráveis, o que pode apoiar políticas públicas de prevenção e mitigação.
As informações são do Jornal da Unicamp.
O fenômeno não acontece apenas no Brasil. O Olhar Digital já havia reportado anteriormente que a desertificação avança em outras partes do planeta. Segundo a ONU, 75% das terras do mundo ficaram mais secas nas últimas décadas. Saiba mais aqui.
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