Homens podem ter problemas cardíacos até 10 anos antes de mulheres

Doenças cardiovasculares não surgem apenas na velhice, e os dados mostram que o corpo masculino costuma dar sinais de alerta mais cedo. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, com acompanhamento de adultos por mais de três décadas, identificou que os homens tendem a desenvolver problemas no coração vários anos antes das mulheres.

Até o início da vida adulta, homens e mulheres apresentam risco semelhante. A partir dos 35 anos, no entanto, as curvas começam a se afastar. Entre os homens, a incidência de doenças cardiovasculares cresce de forma constante, enquanto entre as mulheres esse aumento ocorre mais tarde.

Doença coronariana aparece ainda mais cedo

A diferença é ainda mais marcada quando se observa a doença coronariana, principal causa de infarto. Os dados apontam que esse tipo de problema surge, em média, cerca de dez anos antes nos homens. Na prática, isso significa que eventos cardíacos graves podem ocorrer em uma fase da vida em que muitos ainda se consideram jovens e saudáveis.

Ao analisar a incidência acumulada, os pesquisadores observaram que os homens atingem percentuais mais elevados de doença cardiovascular em idades mais precoces, enquanto as mulheres só alcançam níveis semelhantes alguns anos depois.

Pressão alta explica só parte do problema

A pesquisa avaliou fatores clássicos de risco, como hipertensão, colesterol elevado, alterações na glicemia e hábitos de vida. A pressão arterial elevada ajuda a explicar parte da diferença entre os sexos, mas não responde por todo o cenário. Mesmo após ajustes estatísticos, a vantagem feminina em relação à idade de início das doenças cardíacas permanece.

Isso sugere que outros elementos, como fatores biológicos, hormonais e até comportamentais, também influenciam o momento em que os problemas surgem.

Menos prevenção entre homens jovens

Um ponto relevante destacado pelo estudo é a menor procura dos homens por cuidados preventivos. Na faixa dos 18 aos 44 anos, as mulheres realizam significativamente mais consultas médicas de rotina, muitas vezes vinculadas à saúde ginecológica e reprodutiva. Já os homens tendem a buscar atendimento apenas quando surgem sintomas.

Essa diferença no acompanhamento pode atrasar o diagnóstico de condições silenciosas, como hipertensão e alterações metabólicas, que aumentam o risco cardiovascular ao longo do tempo.

Por que o acompanhamento precoce faz diferença

Identificar fatores de risco antes dos 40 anos pode reduzir de forma importante a chance de eventos cardíacos no futuro. Mudanças no estilo de vida, controle da pressão, do colesterol e do açúcar no sangue têm impacto direto na saúde do coração.

Mesmo com a redução histórica de algumas diferenças, como o tabagismo, e a aproximação das taxas de obesidade e diabetes entre homens e mulheres, o início mais precoce das doenças cardíacas no sexo masculino continua sendo observado.

Os pesquisadores ressaltam que os dados analisados envolvem adultos negros e brancos e que os resultados podem não se aplicar a outras populações. Também não foi possível avaliar com precisão se essa diferença diminui após a menopausa.

Ainda assim, o estudo reforça a importância de atenção precoce à saúde cardiovascular masculina e mostra que esperar sinais mais avançados pode significar perder tempo valioso de prevenção.

Resumo:
Pesquisas indicam que homens tendem a desenvolver doenças cardíacas até dez anos antes das mulheres, com aumento do risco a partir dos 35 anos. A diferença persiste mesmo após considerar fatores como pressão alta e hábitos de vida, reforçando a importância da prevenção precoce.

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