Descoberta da NASA em Marte é difícil sem presença de vida

Compostos orgânicos descobertos pela NASA em Marte são difíceis de explicar sem a presença de vida. É o que conclui uma pesquisa recém-publicada na revista Astrobiology

O estudo reavaliou dados coletados pelo rover Curiosity e sugere que a quantidade original dessas moléculas pode ter sido alta demais para ser explicada apenas por reações químicas naturais conhecidas.

Em resumo:

NASA detectou compostos orgânicos antigos em Marte;

Pesquisa aponta quantidade difícil sem presença de vida;

Radiação degradou moléculas ao longo de milhões de anos;

Modelos indicam concentrações iniciais muito maiores;

Fontes abióticas conhecidas não explicam totalmente os dados.

A perfuração furo que o rover Curiosity fez no folhelho argiloso de Cumberland, em Marte, em 2013. Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Cientistas deixam claro: não se trata de prova de vida em Marte

Em 2025, cientistas anunciaram a identificação de alcanos de cadeia longa em uma rocha antiga de Marte formada por lama endurecida ao longo de milhões de anos. Alcanos são moléculas formadas por carbono e hidrogênio. Na Terra, compostos desse tipo podem estar ligados a processos biológicos, embora também existam formas de produção sem a participação de seres vivos.

Liderada por Alexander Pavlov, do Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA, a equipe do novo estudo avaliou quanto dessas moléculas poderia ter existido originalmente na rocha, antes de milhões de anos de exposição à radiação intensa na superfície de Marte degradarem boa parte do material orgânico.

Os pesquisadores deixam claro que não se trata de uma prova de vida marciana. A conclusão é baseada em modelos que simulam como a radiação ionizante quebra moléculas ao longo do tempo. Ainda assim, os resultados indicam que a origem desses compostos merece investigação mais aprofundada.

Representação artística do rover Curiosity, que explora Marte há 13 anos. Crédito: Rawpixel.com – Shutterstock

Os alcanos identificados podem ser fragmentos de ácidos graxos de cadeia longa. Na Terra, esses ácidos estão presentes em membranas celulares e são produzidos em grande quantidade por organismos vivos, embora não exclusivamente. A concentração medida pelo Curiosity variou entre 30 e 50 partes por bilhão.

Diante disso, os cientistas queriam saber: teria havido muito mais dessas moléculas no passado? E, se sim, quais processos poderiam explicar sua presença na rocha marciana?

Material orgânico recebeu enxurrada de radiação cósmica

A amostra analisada, conhecida como Cumberland, permaneceu exposta na superfície por cerca de 80 milhões de anos. Nesse período, a radiação cósmica teria degradado progressivamente o material orgânico presente.

Para estimar a quantidade original, a equipe realizou experimentos de radiólise em laboratório. Com base nesses testes, calculou que a concentração inicial poderia variar entre 120 e 7.700 partes por milhão – valores muito superiores aos detectados atualmente.

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Em seguida, os cientistas avaliaram possíveis fontes não biológicas. Entre elas estão poeira interplanetária, meteoritos, reações hidrotermais, neblina atmosférica e processos químicos como a serpentinização.

Mesmo somadas, essas fontes abióticas conhecidas não explicariam, segundo os modelos, a quantidade estimada. Ainda assim, os autores reconhecem que podem existir mecanismos desconhecidos ou fatores ambientais não considerados.

Marte já é conhecido por abrigar diferentes tipos de moléculas orgânicas. A grande questão agora não é apenas se elas existem, mas o que revelam sobre as condições de habitabilidade do planeta em seu passado remoto.

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