Como parte dos esforços para manter a presença humana constante na Lua, a NASA e seus parceiros planejam construir uma estação espacial em órbita lunar chamada Gateway. O projeto integra o programa Artemis, que pretende levar astronautas de volta à superfície lunar nos próximos anos, não de forma esporádica, como as missões do passado, mas estabelecendo uma estrutura permanente de apoio à exploração.
A Gateway funcionaria como um ponto de apoio no espaço profundo. Em vez de enviar astronautas diretamente da Terra para a Lua e trazê-los de volta, a ideia é contar com uma base intermediária. Essa estação serviria como local de parada, armazenamento de suprimentos e preparação para descidas à superfície. Assim, as missões ganhariam mais flexibilidade.
Uma representação da espaçonave Orion, da NASA, aproximando-se da Estação Espacial Gateway, planejada pela agência, no espaço cis-lunar. Crédito: NASA
Em resumo:
NASA planeja construir a estação Lunar Gateway para orbitar a Lua;
A estrutura vai funcionar como base intermediária para missões sustentáveis;
Permitirá testar tecnologias e ampliar a segurança espacial;
O projeto reúne parceiros internacionais e empresas privadas;
Envolve debate sobre custos e liderança estratégica.
Vantagens da estação espacial Gateway na ótbita da Lua
Um dos principais argumentos a favor da estação é a sustentabilidade. Missões isoladas são mais limitadas e dependem de planejamento rígido. Com uma estrutura em órbita, seria possível organizar viagens em etapas, enviar equipamentos separadamente e manter presença contínua na região. Isso facilita pesquisas científicas de longo prazo.
A Gateway também permitirá testar tecnologias em condições mais próximas das enfrentadas em viagens a Marte. Diferentemente da Estação Espacial Internacional (ISS), que orbita a Terra, a nova estação ficará muito mais distante. Isso significa maior exposição à radiação e menos suporte imediato do planeta. Operar nesse ambiente é um passo importante para missões futuras.
A segurança é o fator mais relevante. Caso ocorra algum problema durante uma missão na superfície lunar, os astronautas poderão retornar à estação antes de viajar de volta à Terra. Esse ponto intermediário amplia as opções em situações de emergência. Em missões espaciais, ter alternativas pode fazer grande diferença.
Representação artística do futuro posto avançado de Gateway em órbita ao redor da Lua. Crédito: NASA/Alberto Bertolin
O projeto é multinacional: além dos Estados Unidos, participam a Agência Espacial Europeia (ESA), o Canadá, o Japão e os Emirados Árabes Unidos. Cada país contribui com partes específicas da estrutura. Essa cooperação ajuda a dividir custos e fortalecer alianças internacionais.
A ESA está desenvolvendo o módulo habitável internacional e sistemas de comunicação. O Canadá constrói o braço robótico Canadarm3, que será usado na montagem e manutenção da estação. O Japão contribui com sistemas de suporte à vida e áreas de habitação. Já os Emirados Árabes Unidos produzem um módulo de descompressão para atividades externas.
Empresas privadas estadunidenses também desempenham papel central. A Northrop Grumman é responsável por um módulo de habitação e logística. A Maxar desenvolve o sistema de energia e propulsão, essencial para manter a estação em órbita lunar. Parte desse equipamento já foi construída e está em fase de testes.
Módulo Halo da estação Lunar Gateway em uma instalação no Arizona operada pela empresa aeroespacial Northrop Grumman. Crédito: Nasa / Josh Valcarcel
Argumentos contrários ao projeto
Mesmo com os avanços, o projeto enfrenta questionamentos. O aumento de custos e atrasos levantaram dúvidas sobre sua viabilidade. Em determinado momento, uma proposta de orçamento dos Estados Unidos sugeriu cancelar a estação. O financiamento foi mantido, mas o debate sobre sua necessidade continua.
Críticos afirmam que o programa Artemis poderia seguir sem a Gateway. Segundo essa visão, astronautas poderiam viajar diretamente da Terra para a Lua. Já os defensores argumentam que esse modelo seria menos eficiente no longo prazo e limitaria a expansão das atividades.
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Existe ainda um componente estratégico. China e Rússia trabalham juntas em um projeto de base lunar própria. Nesse contexto, a Gateway é vista como forma de manter a liderança dos Estados Unidos e de seus aliados na exploração espacial. O espaço se tornou novamente um cenário de disputa tecnológica e política.
A experiência da ISS mostra o valor da cooperação internacional. Em 25 anos, a estação reuniu astronautas de dezenas de países e possibilitou milhares de experimentos científicos. Com o fim previsto da ISS por volta de 2030, o Gateway poderá assumir papel semelhante, mas agora na órbita da Lua.
Para nações emergentes no setor espacial, participar de um projeto como esse significa acesso a tecnologia avançada e maior influência global. A presença na órbita lunar pode definir quem terá voz ativa nas próximas décadas de exploração.
No fim, a questão central é estratégica. Uma estação na órbita da Lua não é apenas um laboratório flutuante. Ela representa uma tentativa de transformar a exploração espacial em um esforço contínuo, cooperativo e de longo prazo, preparando o caminho para a expansão humana além da órbita terrestre.
Com informações do site The Conversation
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