Fim de uma era? GPT-4o e outros modelos antigos somem do ChatGPT

A OpenAI desativa o GPT-4o (e outros antigos) nesta sexta-feira (13). O modelo era o “cérebro” anterior do ChatGPT. Agora, os usuários terão de se acostumar com o atual: GPT-5.2. Mas isso não deve ser um problema para muita gente. Segundo a OpenAI, apenas 0,1% das pessoas ainda escolhiam usar o 4o no chatbot.

Quando a empresa divulgou o dia fatídico, usuários protestaram. Isso porque muitos criaram um forte laço emocional com o GPT-4o ao longo do tempo. O modelo era conhecido por ser muito gentil e amigável. Por isso, o anúncio da sua desativação fez algumas pessoas sentirem que iriam perder um amigo. Isso acendeu um alerta sobre como a IA pode criar dependências perigosas.

Apego emocional a IAs traz riscos para saúde mental e segurança dos usuários

Muitos usuários passaram a ver o GPT-4o não como uma parte de um programa de computador, mas como um parceiro ou guia espiritual. Isso aconteceu porque o modelo sempre validava os sentimentos das pessoas. Quando a OpenAI anunciou a aposentadoria desse modelo, no fim de janeiro, usuários sentiram como se fossem enfrentar uma perda real em suas vidas. O fim do modelo faz parte de uma estratégia para focar nos sistemas que a maioria das pessoas usa hoje, disse a empresa.

O que essas reações revelam sobre o uso dessas ferramentas? Esse foi o tema da coluna Fala AI, com Roberto “Pena” Spinelli, físico pela USP, com especialidade em Machine Learning por Stanford e pesquisador na área de IA, no Olhar Digital News. Assista abaixo:

Essa proximidade exagerada trouxe problemas graves de segurança para o público. A OpenAI responde atualmente a oito processos na Justiça abertos por pessoas que dizem que as respostas da IA pioraram crises de saúde mental. Em alguns casos, as travas de segurança do sistema falharam e a IA chegou a dar instruções perigosas sobre como alguém poderia tirar a própria vida. Além disso, o chabot chegou a desencorajar o contato dos usuários com seus próprios amigos e familiares.

Especialistas avisam que a IA é apenas um algoritmo matemático incapaz de sentir emoções de verdade. Por mais que as pessoas usem o chat para desabafar, ele não substitui o atendimento de um psicólogo profissional qualificado. Versões mais novas, como o GPT-5.2, são descritas por usuários como mais “frias” justamente porque possuem limites e travas mais fortes para evitar comportamentos inadequados.

Para quem sentir falta do “calor” do GPT-4o, dá para ajustar a personalidade do GPT-5.2 (Configurações > Personalização). O CEO da OpenAI, Sam Altman, admitiu que o apego emocional dos usuários é uma preocupação real para o futuro do negócio. Além disso, a empresa criou ferramentas para identificar a idade dos usuários e garantir que o serviço seja usado com responsabilidade e mais liberdade apenas por adultos.

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