A Meta planeja incorporar tecnologia de reconhecimento facial aos seus óculos inteligentes ainda este ano. A informação foi revelada por quatro pessoas envolvidas nas discussões internas, que falaram sob condição de anonimato por se tratar de planos confidenciais. A funcionalidade, chamada internamente de “Name Tag”, permitiria identificar pessoas e exibir informações sobre elas por meio do assistente de inteligência artificial (IA) da empresa.
A iniciativa marca uma retomada da tecnologia, que havia sido desativada no Facebook há cinco anos devido a preocupações com privacidade e questões legais. Agora, a companhia avalia formas de relançar o recurso nos dispositivos desenvolvidos em parceria com a EssilorLuxottica, fabricante das marcas Ray-Ban e Oakley.
Reconhecimento facial nos óculos
Segundo um documento interno de maio, ao qual o The New York Times teve acesso, a Meta discute desde o início do ano passado como lançar a funcionalidade diante dos “riscos de segurança e privacidade”. O plano inicial previa disponibilizar o recurso primeiro a participantes de uma conferência voltada a pessoas cegas, o que não ocorreu em 2024.
O reconhecimento facial nos óculos permitiria identificar pessoas conhecidas do usuário em plataformas da Meta ou indivíduos com contas públicas em serviços como o Instagram. De acordo com duas fontes familiarizadas com o projeto, a ferramenta não funcionaria como um sistema universal para pesquisar qualquer pessoa encontrada na rua.
A empresa afirmou, em nota ao NYT, que ainda avalia possibilidades e que adotará uma abordagem cuidadosa antes de lançar qualquer funcionalidade.
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Histórico de controvérsias e revisão de privacidade
A Meta já havia considerado incluir reconhecimento facial na primeira versão de seus óculos Ray-Ban, em 2021, mas recuou diante de desafios técnicos e preocupações éticas. Agora, retoma os estudos enquanto seus óculos inteligentes, desenvolvidos em parceria com a EssilorLuxottica, registram forte desempenho comercial. A fabricante informou ter vendido mais de sete milhões de unidades no ano passado.
Em memorando interno da divisão Reality Labs, a empresa avaliou que o ambiente político nos Estados Unidos poderia reduzir a pressão de grupos críticos no momento do lançamento. O documento apontava que o cenário dinâmico desviaria a atenção de organizações da sociedade civil que tradicionalmente contestam esse tipo de tecnologia.
O uso de reconhecimento facial em espaços públicos é alvo de críticas recorrentes de entidades de direitos civis. Nathan Freed Wessler, da American Civil Liberties Union, afirmou que a tecnologia representa ameaça à anonimidade prática nas ruas e pode ser alvo de abusos.
Nos últimos anos, a Meta pagou US$ 2 bilhões para encerrar processos em Illinois e Texas relacionados à coleta de dados faciais sem consentimento em seu sistema anterior. Em 2019, o Facebook também desembolsou US$ 5 bilhões para encerrar ação movida pela Federal Trade Commission (FTC) sobre violações de privacidade.
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