Cometa criovulcânico assume forma espiral após explodir

Conforme noticiado pelo Olhar Digital, o cometa 29P/Schwassmann-Wachmann, conhecido por seus “vulcões de gelo”, entrou em erupção na terça-feira (10) – um dos episódios mais violentos das últimas duas décadas e o mais poderoso desde 2022.

De acordo com a plataforma de climatologia e meteorologia espacial Spaceweather.com, a Associação Astronômica Britânica (BAA) relatou que o núcleo do cometa teve um aumento repentino de brilho de mais de 100 vezes, indicando que que uma grande explosão estava em curso. 

Uma imagem impressionante capturada pelo astrônomo amador e astrofotógrafo Anthony Kroes revela que o objeto assumiu um formato curioso após o evento: um espiral semelhante a um fóssil de amonite (aqueles antigos animais marinhos extintos com conchas enroladas, parecidas com um caracol).

Imagem do cometa 29P obtida em 14 de fevereiro de 2026, quatro dias após a erupção mais poderosa desde 2022. No destaque, é possível ver o formato espiralado mais facilmente. Crédito: Anthony Kroes via Spaceweather.com

Kroes relatou que, inspirado na notícia da erupção recente do cometa 29P, ele decidiu tentar fotografar o corpo celeste e se surpreendeu com o resultado. “A aparência de concha de caracol era detectável em uma única exposição de três minutos”, disse ele na legenda da imagem enviada ao Realtime Image Gallery, do Spaceweather.

A espiral surgiu a partir, provavelmente, de uma única abertura ativa na superfície do cometa. Por esse ponto, o material interno foi lançado ao espaço em alta velocidade.

Explosão superpotente fez cometa ficar com o formato parecido com o de um fóssil de amonite. Crédito: ArtEvent ET – Shutterstock

Erupções de cometas expelem “magma gelado”

Diferentemente dos vulcões da Terra, que liberam lava quente, cometas criovulcânicos  como o 29P expelem substâncias extremamente frias. Esse “magma gelado” é formado por hidrocarbonetos líquidos, como metano, etano e propano, misturados com dióxido de carbono dissolvido. Ao escapar para o espaço, essa mistura se expande rapidamente, criando grandes nuvens de gás e poeira.

A rotação do núcleo do cometa ajuda a moldar o material expelido. Enquanto o jato é lançado, o corpo celeste continua girando, o que faz a pluma se torcer e ganhar aparência espiralada. O resultado é um desenho cósmico raro, visível mesmo em telescópios de pequeno porte.

Montagem da explosão do cometa 29P/Schwassmann-Wachmann após a erupção inicial, o desenvolvimento da coma em espiral e, em seguida, a segunda explosão menor, inserida na coma. Crédito: Eliot Herman via Spaceweather.com

Especialistas comparam o comportamento do 29P a uma lata de refrigerante chacoalhada. Quando uma fissura se abre na superfície, a pressão interna acumulada provoca uma explosão repentina. Esse processo é chamado de criovulcanismo, fenômeno associado a objetos ricos em gelo e compostos voláteis.

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Objeto explodiu novamente cinco dias depois

Grandes erupções como essa costumam ser seguidas por novos episódios menores. Foi exatamente o que ocorreu dias depois, no domingo (15), quando outra explosão foi registrada. Segundo o astrônomo amador Eliot Herman, o evento teve intensidade bem inferior à anterior, mas já produziu uma nova camada brilhante de detritos ao redor do núcleo.

Essas sucessivas explosões ajudam cientistas a entender melhor a composição e o funcionamento interno dos cometas. O 29P é considerado um dos objetos mais ativos do Sistema Solar, tornando-se um verdadeiro laboratório natural para estudar como gelo, gás e poeira interagem no espaço profundo.

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