Copenhague sedia exposição com peças raras de Basquiat

Desde o final de janeiro, está em cartaz na Dinamarca uma nova exposição dedicada a uma faceta menos recordada da obra de Jean-Michel Basquiat, o lendário artista que começou seus dias no grafite da Nova York dos anos 1970 e 1980: representações isoladas de rostos ou, mais exatamente, cabeças, sem os elementos textuais que remetem à arte urbana vistos em outros de seus trabalhos.

O nome já diz tudo: Basquiat – Headstrong é o título da exibição que abriu em 30 de janeiro e segue em cartaz até 17 de maio de 2026, no curiosamente nomeado Louisiana Museum of Modern Art, localizado nos arrabaldes de Copenhague.

O que esperar da exposição

A mostra na Dinamarca chama atenção por se distanciar do habitual da obra de Basquiat, sem a simbologia e os textos que costumam aparecer em seus trabalhos mais famosos – como Untitled (1982), pintura que em 2017 foi leiloada por US$ 110,5 milhões, à época o valor mais caro já pago por uma obra de um artista americano.

Em vez disso, em Basquiat – Headstrong, o que o visitante poderá ver são estudos sobre a cabeça humana junto com os traços característicos que marcaram o estilo do artista. São desenhos elaborados entre 1981 e 1983, justamente na época mais prolífica de Basquiat. Muitos deles permaneceram por vários anos fora da vista pública, já que ele preferiu guardá-los em seu arquivo particular, e agora voltam à luz.

Confira no site oficial outros detalhes sobre eventos que vão ocorrer durante a exposição.

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Artista teve trajetória meteórica

Nascido em Nova York em 1960, Basquiat começou seus dias deixando marcas pelas ruas da cidade, especialmente na área do Lower East Side, ganhando notoriedade sob o pseudônimo SAMO – que compartilhava com o colega Al Diaz – no final dos anos 1970.

Seus trabalhos logo ganharam notoriedade e chamaram atenção de Andy Warhol, que se tornaria uma espécie de mentor de Basquiat ao longo da década seguinte. Sua fama foi explosiva: com apenas 21 anos, ele se tornou o mais jovem artista a expor no Documenta, evento quinquenal que ocorre na Alemanha; com 22, foi a vez de bater o mesmo recorde expondo na Whitney Biennal, em Nova York.

No auge da fama, Basquiat acabou mergulhando na dependência química que se intensificou após a morte de Warhol, em 1987. No ano seguinte, aos 27 anos, o jovem prodígio acabou morrendo de uma overdose de heroína. Seu desaparecimento precoce elevou os trabalhos ao status de lenda, intensificado após o leilão recordista de Untitled, há nove anos.

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Louisiana… na Dinamarca?

Museu deve o curioso nome à propriedade que existia ali no século 19Guillaume Baviere/Wikimedia Commons

Embora seja o museu dedicado à arte moderna e contemporânea que mais visitantes recebe em toda a Escandinávia, o Louisiana pode confundir quem vem de outros lugares, em função do seu nome inusitado: apesar do que pode parecer à primeira vista, não há qualquer conexão com o estado norte-americano de mesmo nome, que um dia chegou a pertencer à França.

O Louisiana de Copenhague na verdade traça suas origens no antigo dono do terreno onde o museu viria a ser instalado: Alexander Brun, que pertencia à nobreza dinamarquesa, decidiu chamar a propriedade de “Louisiana” em homenagem às várias esposas que teve – por coincidência ou de propósito, as três se chamavam Louise.

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Quando a ideia de um museu no mesmo lugar ganhou corpo um século mais tarde, já nos anos 1950, os responsáveis decidiram manter o nome pelo qual a área já era conhecida.

A exposição dedicada a Basquiat no Louisiana será a primeira mostra solo de seus trabalhos em um museu escandinavo. Saiba mais.

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