O mercado financeiro foi pego de surpresa nesta quarta-feira (18) com o anúncio oficial do Banco Central decretando a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da corretora Pleno DTVM. A decisão foi tomada após o órgão regulador identificar que a saúde financeira da instituição – que já vinha operando sob pressão após a separação do conglomerado Banco Master – tornou-se insustentável.
Com as atividades encerradas e os bens dos administradores bloqueados, milhares de investidores que possuíam CDBs e outros títulos emitidos pelo Pleno agora buscam respostas sobre como reaver seu capital. Embora o cenário pareça alarmante, quem possui investimentos de até R$ 250 mil conta com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Abaixo, preparamos um guia passo a passo para você acionar o seguro do FGC e garantir o recebimento do seu dinheiro.
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O que está garantido pelo FGC?
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) confirmou que cerca de 160 mil clientes possuem valores a receber, totalizando aproximadamente R$ 4,9 bilhões.
Limite de cobertura: o ressarcimento é de até R$ 250 mil por CPF.
Atenção ao conglomerado: se você já atingiu o teto de R$ 250 mil em recebimentos recentes de instituições do mesmo grupo (como Master, Letsbank ou Will Bank), não haverá valores adicionais a receber agora, segundo o Uol.
Valores excedentes: quantias que superam os R$ 250 mil só serão devolvidas se houver sobra de capital após a venda dos ativos do banco no processo de liquidação.
Passo a passo para o ressarcimento
Embora não exista um prazo fixo para o início dos pagamentos, o tempo médio de espera é de 30 dias.
Baixe o aplicativo oficial: o processo é realizado de forma digital pelo aplicativo oficial do FGC (disponível para Android e iOS).
Crie sua conta: ao abrir o app, preencha seus dados pessoais (como CPF, e-mail e telefone).
Faça a validação de identidade: o aplicativo pedirá uma foto do seu RG ou CNH e uma “selfie” para confirmar que você é o titular da conta.
Escolha a conta para recebimento: dentro do aplicativo, você deve indicar uma conta-corrente ou poupança em seu nome (mesmo CPF) em outro banco para onde o dinheiro será transferido.
O liquidante, José Eduardo Victória, deve consolidar a lista de credores e enviá-la ao Fundo. Para dúvidas, utilize apenas o e-mail oficial: liquidacao.grupopleno@bancopleno.com.br. Acompanhe as atualizações pelo site www.bancopleno.com.br.
Como ficam os empréstimos e faturas?
A liquidação encerra as atividades de saque, mas não as de pagamento de dívidas. Os clientes devem continuar pagando normalmente boletos de cartão de crédito e parcelas de financiamentos.
Para quem utiliza produtos como o Credcesta, os descontos em folha de pagamento seguem ocorrendo sem interrupções.
Linha do tempo: do Indusval ao Banco Pleno
1991 – A origem (Banco Indusval): A instituição assume o nome de Banco Indusval, focando em crédito corporativo e agronegócio. Por décadas, foi um banco médio tradicional no mercado brasileiro.
2019 – A primeira grande mudança (Voiter): após anos de prejuízos, o banco passa por uma reestruturação e recebe um aporte de quase R$ 400 milhões. Em 2020, ele é rebatizado como Banco Voiter, com o objetivo de se tornar um banco de negócios mais digital e ágil.
Fevereiro de 2024 – A entrada do Grupo Master: O Banco Master, de Daniel Vorcaro, anuncia a compra do Voiter. A ideia era reorganizar o banco dentro do conglomerado que estava em rápida expansão.
Maio de 2024 – A saída de Augusto Lima: Augusto Ferreira Lima, então sócio de Vorcaro no Master, desliga-se do grupo para seguir carreira solo, levando consigo alguns ativos, incluindo a operação do Credcesta.
Julho de 2025 – O nascimento do Banco Pleno: Após autorização do Banco Central, Augusto Lima assume oficialmente o controle do antigo Voiter. O banco é rebatizado como Banco Pleno, focando agora em crédito consignado e adotando taxas agressivas de CDB para captar recursos.
Novembro de 2025 – Crise no Master: Enquanto o Pleno tentava se estabilizar, o Banco Master (seu antigo “irmão”) sofre uma liquidação. O Pleno escapa por ter se separado juridicamente do grupo três meses antes.
18 de Fevereiro de 2026 – O fim (liquidação): O Banco Central decreta a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM. O motivo: falta de liquidez, descumprimento de normas e a deterioração da situação financeira sob a gestão de Augusto Lima.
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