Missão pode interceptar cometa 3I/ATLAS até 2085

A descoberta do cometa interestelar 3I/ATLAS no ano passado mobilizou observatórios e missões espaciais em diferentes partes do Sistema Solar. O objeto, considerado mais antigo e mais veloz do que os dois outros visitantes interestelares já registrados, foi acompanhado por telescópios na Terra e no espaço, além de sondas e até rovers em Marte, durante sua passagem pelo periélio e maior aproximação.

Agora, um grupo ligado à Initiative for Interstellar Studies apresentou uma proposta que prevê uma missão capaz de interceptar o cometa até 2085. A ideia envolve o uso de uma manobra gravitacional específica para alcançar o objeto, que já deixou a região interna do Sistema Solar. O artigo científico está disponível no ArXiv.

Desafios para alcançar o 3I/ATLAS

Segundo os autores do estudo, três fatores dificultaram uma missão direta quando o cometa foi identificado. O primeiro é a orientação retrógrada de sua órbita. O segundo é a alta velocidade heliocêntrica no infinito, de aproximadamente 60 km/s, conhecida como velocidade hiperbólica de excesso. O terceiro foi a detecção tardia, quando o 3I/ATLAS já estava dentro da órbita de Júpiter.

Mesmo a missão Comet Interceptor, da Agência Espacial Europeia (ESA), prevista para ser lançada no fim de 2028 ou início de 2029, não teria condições de alcançá-lo. O projeto europeu foi concebido para ficar estacionado no espaço à espera de um cometa “pristino” ou de um objeto interestelar detectado nas proximidades, mas o perfil orbital do 3I/ATLAS inviabilizaria essa alternativa.

Ainda assim, há interesse científico em estudá-lo de perto. Colin Wilson, cientista de projeto da ESA para as missões ExoMars e Mars Express, afirmou em outubro que o cometa pode ser “mais interessante do que imaginamos”, comparando-o a uma cápsula do tempo de outra era.

Representação artística do cometa 3I/ATLAS voando próximo à Terra (imagem meramente ilustrativa). Crédito: Gerada por IA/Gemini

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Proposta prevê manobra Solar Oberth

A nova proposta sugere o uso da chamada manobra Solar Oberth, técnica da mecânica celeste em que a nave é enviada em direção a um corpo massivo. Ao se aproximar e mergulhar em seu poço gravitacional, os motores são acionados para gerar ganho adicional de velocidade.

Simulações indicam que a melhor janela de lançamento seria em 2035. A nave seguiria primeiro para Júpiter, utilizando a gravidade do planeta para reduzir velocidade e redirecionar a trajetória rumo ao Sol. Próxima à estrela, executaria a manobra Oberth, alcançando uma velocidade superior à obtida apenas com foguetes químicos.

Com esse perfil, a missão poderia atingir o 3I/ATLAS em 2085, a cerca de 109 bilhões de quilômetros da Terra, ligeiramente mais rápida que o próprio cometa. Por enquanto, o estudo se concentra apenas na viabilidade da trajetória e não detalha os desafios técnicos de operar uma nave em ambientes tão distintos quanto Júpiter, o Sol e o espaço profundo.

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