Vertebrados mais antigos do mundo tinham quatro olhos, indica estudo

Os primeiros ancestrais de todos os animais com coluna vertebral, incluindo os humanos, podem ter enxergado o mundo com quatro olhos. A descoberta vem de fósseis com cerca de 518 milhões de anos e sugere que esses vertebrados primitivos tinham um campo de visão mais amplo do que se imaginava, em um período marcado por intensa pressão evolutiva nos oceanos, segundo informações do portal New Atlas.

Os vestígios desse segundo par de olhos ainda estariam presentes no cérebro humano atual, mas com outra função. Segundo os pesquisadores, essas estruturas teriam evoluído ao longo do tempo até se tornarem a glândula pineal, órgão responsável pela produção de melatonina e pela regulação do ciclo do sono, sem qualquer papel na formação de imagens.

Fósseis do Cambriano revelam estruturas oculares preservadas

A descoberta foi feita na região de Kunming, na China, famosa pela preservação excepcional de fósseis do início do período Cambriano. Ali, cientistas identificaram duas espécies de myllokunmingídeos, considerados os vertebrados mais antigos já encontrados, com quatro marcas escuras na parte anterior do corpo.

Duas dessas estruturas estavam posicionadas lateralmente na cabeça, como olhos convencionais. O segundo par ficava na parte superior, entre elas. Pesquisadores já haviam sugerido que essas marcas medianas seriam cápsulas nasais. No entanto, essa hipótese entrava em conflito com evidências de que os primeiros vertebrados possuíam apenas uma única narina.

Mulher de olhos abertos (Reprodução: Amanda Dalbjörn/Unsplash)

Com o uso de microscopia eletrônica, a equipe identificou melanosomas, estruturas celulares que armazenam melanina, pigmento essencial para a absorção de luz e formação de imagens. Até então, registros fósseis de melanina remontavam ao período Carbonífero, cerca de 300 milhões de anos atrás, o que torna o achado ainda mais relevante para a paleontologia.]

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Os pesquisadores também encontraram indícios da presença de lentes nas estruturas superiores, reforçando a interpretação de que se tratavam de olhos do tipo câmera. Isso indica que esses animais tinham dois olhos maiores nas laterais e dois menores na parte superior da cabeça, todos capazes de captar luz e formar imagens.

Evolução pode ter transformado olhos extras na glândula pineal

De acordo com Jakob Vinther, da University of Bristol, os ancestrais vertebrados viviam próximos à base da cadeia alimentar. Um campo de visão ampliado teria sido vantajoso para detectar predadores em um ambiente marinho competitivo durante a explosão de biodiversidade do Cambriano.

Entre os principais pontos do estudo estão:

Fósseis datados de 518 milhões de anos

Presença de quatro estruturas oculares preservadas

Identificação de melanosomas com microscopia eletrônica

Evidência de lentes associadas aos órgãos superiores

Relação evolutiva com a atual glândula pineal

Com o passar do tempo, mudanças ecológicas teriam alterado o papel dessas estruturas. À medida que alguns vertebrados passaram de filtradores para predadores, o segundo par de olhos pode ter perdido a função visual e se transformado em um órgão neuroendócrino. Para Elias Warshaw, da University College London, os resultados ajudam a esclarecer as fases iniciais da evolução dos vertebrados.

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