Mais de 300 mil idosos se autodeclaram autistas no Brasil

Dados do Censo Demográfico de 2022 indicam que mais de 300 mil brasileiros com 60 anos ou mais se autodeclaram pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A análise, conduzida pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, aponta uma prevalência de 0,86% nessa faixa etária. Especialistas explicam que o fenômeno está ligado, sobretudo, ao diagnóstico tardio, já que por décadas o autismo foi pouco compreendido e restrito a critérios que excluíam muitos adultos e idosos do reconhecimento formal da condição.

Embora o TEA seja uma condição do neurodesenvolvimento presente desde a infância, muitas pessoas envelheceram sem acesso a diagnóstico e suporte adequados.

Estudos mostram que idosos no espectro podem apresentar maior prevalência de ansiedade, depressão, riscos cardiovasculares e declínio cognitivo, além de enfrentarem dificuldades adicionais, já que sinais como isolamento social e rigidez comportamental costumam ser confundidos com demência ou depressão.

“Reconhecer o TEA na velhice é um ato de dignidade. Isso nos permite oferecer um cuidado integral e embasar políticas públicas voltadas às particularidades do envelhecimento no espectro”, afirma Danielle Christofolli, gerente do Centro de Neurodesenvolvimento e Reabilitação do Instituto Jô Clemente.

É importante fazer avaliação neuropsicológica para identificar funções cognitivas, emocionais e comportamentais, permitindo diagnósticos mais precisos e planos terapêuticos adequados à terceira idade.

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1506, de 30 de janeiro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.