Oceano Pacífico dá sinais de transição para o El Niño

O oceano Pacífico começou a apresentar indícios de uma transição para o El Niño, fenômeno climático associado a extremos no clima. Pelo segundo mês consecutivo, foram registradas rajadas de vento excepcionalmente fortes em uma área remota do Pacífico Oeste, sinalizando uma reorganização relevante na circulação atmosférica.

Esses ventos intensos estão deslocando águas muito quentes do Pacífico Oeste, ao sul de Guam, em direção à América do Sul. O movimento de calor é considerado um dos principais indicadores da formação do fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial.

Em janeiro, medições apontaram que a chamada “piscina quente” no Pacífico Oeste atingiu um dos maiores níveis de calor já registrados, mesmo após liberar parte dessa energia rumo ao Leste do oceano. Isso indica que o mar ainda concentra grande quantidade de calor, fator que pode influenciar a intensidade do próximo episódio.

Oceano Pacífico começou a apresentar indícios de transição para o El Niño (Imagem: Stock Lpa / Shutterstock.com)

Projeções para os próximos meses

De acordo com projeções do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, o El Niño deve se consolidar até o inverno no Hemisfério Sul. Embora os efeitos não sejam imediatos, o fenômeno pode alterar regimes de chuva na América do Sul, África e Ásia, além de influenciar temporadas de furacões e tempestades severas nos Estados Unidos e ampliar o risco de branqueamento de corais.

O último evento, iniciado em 2023 e com pico no começo de 2024, contribuiu para que 2024 se tornasse o ano mais quente já registrado. Modelos climáticos indicam que o período entre 2026 e 2028 pode estabelecer novos recordes globais de temperatura.

Alerta no Peru para El Niño Costeiro

No Peru, autoridades colocaram o país em alerta após o aviso de que o chamado El Niño Costeiro deve começar a afetar o litoral a partir de março. O fenômeno ocorre quando as águas próximas à costa ficam mais quentes que o normal, elevando o risco de chuvas intensas e alagamentos.

Especialistas da comissão que monitora o fenômeno no país indicam que o aquecimento pode durar até novembro. A tendência inicial é de intensidade fraca, mas com fortalecimento ao longo dos meses. A previsão aponta chuvas de moderadas a fortes na costa Norte, além de temperaturas do ar acima do normal, que já costumam superar os 30 °C.

Neutralidade antes do evento clássico

Após o encerramento de um episódio de La Niña, o Pacífico entra obrigatoriamente em fase de neutralidade, sem transição direta para El Niño. Ainda assim, mesmo em condição neutra, podem ocorrer extremos típicos de ambas as fases.

As projeções indicam que a neutralidade deve predominar no fim do verão e início do outono, com aquecimento gradual primeiro na costa do Peru e do Equador e depois na faixa equatorial. Modelos apontam aumento da probabilidade de um El Niño clássico entre o outono e o inverno, com cenário de intensidade moderada a forte no segundo semestre.

(Imagem: FrankHH / Shutterstock.com)

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O que é El Niño

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam mais quentes que a média e os ventos de Leste enfraquecem. A condição oposta é a La Niña, marcada por águas mais frias e ventos mais intensos. Os episódios costumam se repetir a cada três a cinco anos.

As interações entre oceano e atmosfera afetam o clima global, podendo provocar secas, enchentes e tempestades severas. No Sul do Brasil, por exemplo, El Niño aumenta o risco de chuvas excessivas, enquanto La Niña eleva a chance de estiagem. Já no Nordeste, o padrão se inverte.

O nome El Niño surgiu no século XIX, quando pescadores na costa do Pacífico da América do Sul observaram o aparecimento periódico de uma corrente quente próximo ao Natal. A redução na pesca levou à associação com o “menino”, em referência ao nascimento de Cristo.

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