A Amazon Web Services (AWS), divisão de computação em nuvem da Amazon, enfrentou uma interrupção de 13 horas em dezembro do ano passado – uma de pelo menos duas no mesmo mês. O erro foi atribuído a mudanças realizadas por um agente de inteligência artificial utilizado internamente.
O episódio foi revelado pelo site Financial Times e teria envolvido o agente de codificação Kiro, capaz de executar ações autônomas em tarefas de gestão de recursos.
De acordo com pessoas familiarizadas com o caso, engenheiros autorizaram a ferramenta a implementar alterações em um sistema interno. A partir disso, o Kiro teria decidido “excluir e recriar o ambiente”, provocando a falha que afetou principalmente operações na China.
Em nota ao site, a Amazon afirmou que o impacto foi “extremamente limitado” e não comprometeu serviços essenciais como computação, armazenamento ou banco de dados. A companhia defendeu que o problema decorreu de um erro humano e não de falhas inerentes à inteligência artificial.
Segundo a empresa, o Kiro solicita autorização antes de executar ações e o funcionário envolvido possuía permissões mais amplas do que o previsto.
Incidentes anteriores na AWS
Relatos de funcionários indicam que esse não teria sido o único incidente recente envolvendo ferramentas de IA da AWS. Pelo menos outro episódio semelhante teria ocorrido nos últimos meses, embora a Amazon reconheça oficialmente apenas uma ocorrência com impacto direto em clientes.
A discussão surge em um momento delicado para a empresa. A AWS é responsável por parte significativa da infraestrutura digital global e já enfrentou outras quedas no ano passado. Uma delas aconteceu em outubro e deixou dezenas de sites fora do ar por horas seguidas. O Olhar Digital reportou o caso neste link.
As novas falhas reacenderam o debate sobre a dependência de clientes a poucos fornecedores de infraestrutura digital.
Outra preocupação é em relação ao corte de funcionários na Amazon: em janeiro, a companhia confirmou planos de eliminar 16 mil postos de trabalho, após já ter demitido 14 mil funcionários no ano anterior. O CEO Andy Jassy afirmou que os cortes estavam relacionados à cultura organizacional, mas já declarou publicamente que os ganhos de eficiência com IA devem reduzir a necessidade de mão de obra nos próximos anos.
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