Um artigo publicado no The Planetary Science Journal traz novas evidências de que a Lua apresenta atividade sísmica recente e que está encolhendo – algo que os cientistas têm conhecimento há cerca de 15 anos. Os novos dados reforçam a ideia de que o interior lunar ainda passa por transformações.
Desde as missões do Programa Apollo, da NASA, realizadas entre 1969 e 1972, os pesquisadores sabem que a Lua sofre abalos sísmicos. Estudos mais recentes indicam que ela perdeu cerca de 50 metros de raio nos últimos 200 milhões de anos. Essa redução está ligada ao resfriamento gradual de seu interior. À medida que esfria, o material interno se contrai.
Esse encolhimento provoca rachaduras e deformações na crosta, como se fossem “rugas”. Um dos sinais desse processo são as chamadas escarpas lobadas, espécies de penhascos formados por falhas geológicas. Essas estruturas foram mapeadas principalmente nas terras altas lunares, regiões mais claras e antigas da superfície. Elas indicam que a crosta foi comprimida ao longo do tempo.
Uma pequena cordilheira lunar localizada na bacia central de Aitken, no Polo Sul, no lado oculto da Lua. Crédito: NASA/LROC/GSFC/Universidade Estadual do Arizona
Contração no interior da Lua forma cristas na superfície
Agora, os cientistas identificaram outro tipo de estrutura: pequenas cristas localizadas nos mares lunares, que são as grandes planícies escuras formadas por lava solidificada. Um exemplo famoso é o Mar da Tranquilidade, local de pouso da Apollo 11. Essas novas formações mostram que a contração também afeta áreas antes consideradas mais estáveis.
A equipe catalogou 1.114 novas cristas, elevando o total conhecido para 2.634. A análise indica que essas estruturas têm, em média, 124 milhões de anos. Já as escarpas lobadas apresentam idade média de 105 milhões de anos. A proximidade dessas datas sugere que ambas se formaram em um mesmo período de atividade tectônica.
Os pesquisadores também observaram que muitas cristas e escarpas estão fisicamente conectadas. Essa ligação costuma ocorrer nas regiões de transição entre as terras altas e os mares lunares. Para os autores, a explicação mais provável é a contínua contração do interior da Lua. O processo teria moldado diferentes áreas da superfície ao mesmo tempo.
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Programa Artemis deve complementar estudos
Um dos coautores do estudo, o cientista Tom Watters, do Centro de Estudos da Terra e Planetários, ressaltou em um comunicado a importância da descoberta. “Nossa detecção de pequenas cristas jovens nos mares lunares, e a descoberta de sua causa, completa um panorama global de uma lua dinâmica e em processo de contração”.
Cole Nypaver, também membro da equipe, afirma que é a primeira vez que características semelhantes são documentadas de forma ampla nos mares lunares. O estudo amplia a compreensão sobre o interior e a história térmica do satélite.
A exploração futura pode trazer respostas ainda mais detalhadas. O Programa Artemis, da NASA, pretende levar astronautas novamente à superfície lunar ainda nesta década. Em breve, a missão Artemis 2 deve orbitar a Lua e observar regiões nunca antes vistas diretamente pelos olhos humanos. Com novos dados, será possível avaliar melhor os riscos sísmicos e planejar missões com mais segurança.
Com informações do IFLScience
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