À caça dos moinhos de vento: destaques da “Rota de Dom Quixote”, na Espanha

Desde o século 17, a região espanhola de Castilla-La Mancha é conhecida no mundo inteiro graças à literatura: é lá que acontecem a maior parte das aventuras de Dom Quixote (de La Mancha, é claro), personagem eternizado na obra de Miguel de Cervantes, que ajudou a colocar inúmeros lugarejos – e seus moinhos – no mapa.

Hoje, amantes dessa história podem conhecer mais de perto alguns de seus lugares mais simbólicos percorrendo a Ruta de Don Quijote, um caminho ecoturístico que busca repassar a trajetória do personagem e inclui paisagens que vão além de La Mancha, percorrendo também Aragão e Catalunha.

Mas é um roteiro e tanto: a rota é considerada o maior corredor turístico da Europa, estendendo-se por mais de 2,5 mil quilômetros e cruzando quase 150 municípios do mapa espanhol.

É tanta coisa que fica até difícil saber por onde começar. Afinal, quais são os lugares realmente indispensáveis para começar a refazer os passos de Quixote e Sancho Pança?

Onde ver os moinhos?

O legado mais famoso de Dom Quixote à cultura é sua luta contra os moinhos de vento. Mesmo quem nunca leu o livro já deve ter cruzado com a expressão derivada dessa descrição clássica, que se refere a um embate contra inimigos imaginários: acreditando estar diante de gigantes, o Quijote partia para encarar as enormes estruturas como se estivesse em uma justa medieval, sendo finalmente derrubado pelas pás de um moinho.

Importantes para a indústria local na época, os moinhos seguem existindo nessa parte da Espanha e, em alguns casos, foram deliberadamente preservados em referência à obra. O local que inspirou Cervantes na cena mais famosa do livro é o Campo de Criptana, na província manchega de Ciudad Real: lá, restam ainda uma dezena de moinhos em pé, sendo que três – nomeados Sardinero, Infante e Burleta – ainda operam com o mecanismo original do século 16.

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Moinhos de Consuegra também guardam características do século 16 e referências à obra de CervantesMassimo Frasson/Wikimedia Commons

Outros “gigantes” que evocam Dom Quixote são os moinhos de Consuegra, no Cerro del Calderico, na província de Toledo. Um conjunto de 12 moinhos do período segue marcado o horizonte local, e cinco deles foram restaurados e abrigam exposições com detalhes sobre o funcionamento e a importância de estruturas do tipo para a Espanha nos tempos em que as aventuras do cavaleiro andante foram escritas.

Outros pontos de interesse

Muito além dos moinhos conhecidos até por viajantes com uma familiaridade rudimentar com Dom Quixote, quem de fato leu esse clássico provavelmente vai querer dar uma passada em outros pontos da rota que remetem a figuras e episódios importantes para a construção da obra.

Lagunas de Ruidera: criadas pelo “encanto do mago Merlin”, diz o livroAmeliacsj/Wikimedia Commons

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Em El Toboso, na província de Toledo, fica a Casa de Dulcinea, um museu que funciona em uma casona original do século 16 e recria o lar do amor platônico do Quijote nas linhas de Cervantes.

Entre as províncias de Ciudad Real e Albacete, ficam as 15 lagoas de Ruidera, uma paisagem exaltada no livro por sua imensa beleza (na narração, elas são descritas como tendo sido criadas “pelo encanto do mago Merlin”).

Não muito longe dali, fica a Cueva de Montesinos, o local onde o personagem “mergulha na loucura” e tem visões fantásticas que aprofundam seus ideais.

Cueva de Medrano: aqui, segundo a tradição, Cervantes começou a escrever seu livroOficina de Turismo de Argamasilla de Alba/Divulgação

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Já para quem quer ir além da obra em si, um lugar da rota com significado marcante na vida de Cervantes é o município de Argamasilla de Alba. Segundo a tradição (e as pistas que ele dá no livro), teria sido lá que o autor passou um tempo preso e começou a elaborar as páginas de Dom Quixote.

Atualmente, estudiosos questionam a veracidade dessa versão, e se suspeita que Cervantes confundiu os leitores de propósito sobre seu local de encarceramento – mas isso não impediu a cidade de preservar para visitação a chamada Cueva de Medrano, um velho calabouço que teria sido ocupado pelo escritor naqueles dias.

O caminho turístico vinculado à obra, como o próprio livro, é longo e repleto de possibilidades. O site dedicado à Ruta del Quijote conta com mais dicas de roteiros nas várias cidades pelo caminho.

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