Em dia de discurso no Congresso, tarifas de Trump passam a valer

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz hoje o discurso de “Estado da União”. Na cerimônia – bem tradicional na política americana -, o presidente fala ao Congresso, faz um balanço do governo e lista ações previstas.

Ontem, o republicano já antecipou: “será um discurso longo, temos muito a falar”. Pensando que o evento começa 23h (horário de Brasília), quem quiser acompanhar tudo deve ir madrugada adentro.

Podemos esperar um discurso muito voltado para a economia.

Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac divulgada no início do mês apontou que apenas 39% dos eleitores registrados aprovam a gestão da economia por Trump, enquanto 56% a desaprovam.

Uma pesquisa da NPR/PBS News/Marist divulgada em dezembro constatou que a aprovação sobre o assunto estava em torno de 36%, o índice mais baixo na série histórica de seis anos do levantamento.

Basicamente, o americano está preocupado com o custo de vida – sobretudo alimentos e moradia. O assunto é chave: em novembro, serão realizadas as chamadas “midterms”, eleições de meio de mandato. Boa parte do Congresso é renovada.

No que tange a tecnologia, como já falamos nesta newsletter, uma preocupação nos Estados Unidos é garantir que as big techs banquem o aumento de consumo de energia provocado por seus data centers.

Em meio à corrida das inteligências artificiais, essa é uma sequência que ficarei de olho: disputa com a China, atração de investimentos para os Estados Unidos e custo para financiar tanta infraestrutura.

Falando nisso, a imprensa americana também destaca as tarifas.

Tarifas e Brasil

Trump deve criticar a decisão da Suprema Corte do país, que derrubou a imposição de tarifas a outros países.

De forma prática:

A maioria dos magistrados entendeu que a legislação da década de 1970 usada por Trump para o tarifaço não autorizava uma decisão unilateral. Lembrando que as taxas da Casa Branca não passaram pelo Congresso.

Usando um outro mecanismo legal, Trump anunciou uma nova tarifa global, de 15%. Teoricamente, ela é temporária por 150 dias antes de se tornar obrigatória a aprovação pelo Congresso.

Assim, o Brasil se livrou das tarifas recíprocas de 10% (anunciadas em abril de 2025) e da sobretaxa de 40% (anunciada em julho de 2025, em carta de Trump a Lula).

Alguns produtos brasileiros estratégicos ficam isentos no momento, como destacou o vice-presidente Geraldo Alckmin: “Zerou para combustível, carne, café, celulose, suco de laranja, aeronaves”.

Ou seja: o Brasil foi considerado um dos maiores “vencedores” com a mudança.

Minerais críticos, semicondutores e alguns eletrônicos também se livraram – como processadores, memórias e máquinas para fabricar semicondutores.

Mais tarde, veremos como Donald Trump abordará esses dois assuntos que impactam diretamente o setor de tecnologia.

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