Elon Musk voltou a chamar atenção ao afirmar que pretende erguer uma “cidade que cresce sozinha” na Lua. Segundo publicado por ele no X, o projeto poderia sair do papel em menos de dez anos. A proposta marca uma mudança de prioridade em relação ao antigo foco em Marte.
Até pouco tempo, o bilionário defendia que o principal destino da empresa seria Marte. Agora, argumenta que a Lua oferece vantagens logísticas importantes. A principal delas é a proximidade com a Terra, que permite viagens mais rápidas e frequentes.
Em resumo:
Elon Musk propõe cidade autossuficiente na Lua;
Projeto pode avançar em menos de dez anos;
Lua oferece viagens rápidas e lançamentos frequentes;
Plano prevê usar recursos lunares para sustento;
Desafios incluem clima extremo, energia e reciclagem;
Estratégia pode preparar caminho futuro rumo a Marte.
Elon Musk adiou os planos para Marte e resolveu priorizar a Lua. Crédito: Frederic Legrand – COMEO – Shutterstock
Musk explicou que missões para Marte dependem de um alinhamento favorável entre os planetas, algo que ocorre aproximadamente a cada 26 meses. Além disso, a viagem pode durar cerca de seis meses. Já o trajeto até a Lua leva apenas dois ou três dias. Assim, segundo o empresário, essa diferença permitiria lançar foguetes com muito mais regularidade rumo ao satélite natural da Terra, como a cada dez dias. Com isso, equipamentos e suprimentos chegariam mais rápido, acelerando a construção de um assentamento humano.
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Sem plano técnico detalhado da “cidade autossuficiente” na Lua
Embora Musk fale em uma cidade “autossuficiente”, a BBC destaca que ainda não há um plano técnico detalhado divulgado ao público. A proposta apresentada até agora é uma visão geral. A ideia central é utilizar recursos disponíveis na própria Lua para produzir água, oxigênio e materiais de construção.
Especialistas explicam que esse conceito não é totalmente novo. Ele se baseia em processos industriais já conhecidos na Terra, adaptados ao ambiente lunar. Em teoria, seria possível extrair oxigênio do solo e aproveitar gelo encontrado em regiões polares.
O desafio, no entanto, está nas condições extremas da Lua. As temperaturas variam drasticamente entre o dia e a noite. Há poeira fina e abrasiva, baixa gravidade e pouca disponibilidade de energia constante.
Para que uma base funcione de forma confiável, esses sistemas precisam ser testados diretamente na superfície lunar. Pesquisadores ressaltam que muitos desses experimentos ainda não foram realizados em escala real. Portanto, há incertezas técnicas importantes.
Por outro lado, a iniciativa privada costuma operar com mais rapidez que agências governamentais. Empresas não dependem do mesmo ciclo político e orçamentário. Se os novos foguetes da SpaceX cumprirem o prometido, o envio frequente de cargas pode reduzir custos e prazos.
Satélite seria “trampolim” para Marte
A proximidade da Lua também traz uma vantagem estratégica. Em caso de emergência, seria possível enviar ajuda em poucos dias. Isso não ocorreria com Marte, onde qualquer problema exigiria meses de espera por socorro.
Ainda assim, especialistas alertam que uma cidade totalmente autossustentável está distante da realidade. Produzir alimentos sem depender de insumos terrestres é um desafio complexo. Criar um sistema fechado, no qual tudo seja reciclado, pode levar décadas.
Antes disso, seria necessário mapear detalhadamente os recursos disponíveis na Lua. Só após uma ampla prospecção será possível escolher o melhor local para uma base permanente. A viabilidade econômica da extração também precisa ser comprovada.
Elon Musk enxerga a Lua como um “trampolim” para Marte. Crédito: Dima Zel – Shutterstock
Alguns cientistas consideram plausível que, em cerca de dez anos, um pequeno posto avançado consiga gerar parte do próprio oxigênio e talvez extrair água. Isso já representaria um avanço significativo. A experiência adquirida poderia servir de preparação para missões futuras mais ambiciosas.
O debate ocorre em meio a uma nova corrida espacial. Os Estados Unidos pretendem levar astronautas novamente à superfície lunar por meio do programa Artemis, da NASA. A última vez que humanos caminharam na Lua foi em 1972, durante a missão Apollo 17.
Além da exploração tripulada, Musk também mira o setor de tecnologia. Recentemente, anunciou a integração da startup de inteligência artificial xAI à SpaceX. A movimentação reforça planos de ampliar infraestrutura voltada à computação avançada.
O empresário já mencionou a possibilidade de instalar centros de dados no espaço para atender à crescente demanda por processamento de inteligência artificial. A proposta, porém, enfrenta obstáculos técnicos, como a dificuldade de resfriar equipamentos no vácuo espacial.
Paralelamente, a SpaceX avalia uma eventual abertura de capital. Uma oferta pública de ações poderia levantar dezenas de bilhões de dólares. Esse recurso ajudaria a financiar projetos de grande escala, como a expansão lunar.
Apesar do entusiasmo, parte da comunidade científica mantém cautela. Musk tem histórico de anunciar prazos ousados que acabam sendo adiados. Por isso, muitos veem o plano como viável a longo prazo, mas improvável no ritmo proposto.
Mesmo com as incertezas, a mudança de foco para a Lua sinaliza uma estratégia mais pragmática. Ao priorizar o destino mais próximo, a SpaceX pode acumular experiência, testar tecnologias e reduzir riscos. Se bem-sucedida, a Lua poderá se tornar um passo intermediário rumo a Marte.
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