Você muda a alimentação, sente menos fome, o número na balança finalmente começa a cair. A roupa fica mais folgada, os comentários aparecem, e a sensação inicial é de alívio. Mas, com o passar das semanas, algo parece fora do lugar: o corpo está mais fraco e tarefas simples exigem mais esforço do que antes.
Esse desconforto não é raro em processos de emagrecimento rápidos, especialmente quando entram em cena medicamentos que reduzem o apetite. O peso diminui, mas nem sempre da forma mais saudável. E é aí que um tema pouco comentado começa a ganhar importância: a perda de massa muscular ao longo do tratamento com canetas emagrecedoras.
Por que o músculo entra nessa conta?
Medicamentos como a tirzepatida e a semaglutida atuam diretamente no controle da fome e no ritmo da digestão. O problema é que, quando o corpo passa a receber poucas calorias e menos nutrientes, ele precisa buscar energia em algum lugar – e o músculo pode acabar virando essa fonte.
“Quando a redução de peso acontece de forma muito intensa e sem um consumo adequado de proteínas diárias e estímulo muscular, o organismo pode usar não só gordura, mas músculo como fonte de energia”, diz Fernanda Parra, endocrinologista com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia.
Essa perda não acontece de um dia para o outro. É um processo silencioso, que muitas vezes passa despercebido no início, mas que pode trazer consequências importantes ao longo do tempo.
Sarcopenia
Perder músculo não significa apenas ficar com o corpo menos firme. A massa muscular está ligada à força, ao metabolismo, à imunidade e até à autonomia para as atividades do dia a dia. “A sarcopenia não é um evento agudo, mas um processo silencioso”, diz Fernanda.
Alguns grupos merecem atenção especial. Os idosos têm um risco maior, já que apresentam perda muscular relacionada à idade. Mulheres também entram nesse radar, especialmente na transição menopausal e na menopausa. Pessoas sedentárias ou que iniciam o tratamento com pouca massa muscular completam o grupo mais vulnerável.
No prato: menos quantidade, mais estratégia
Quando o apetite diminui, comer menos parece natural. O problema é quando essa redução vem sem planejamento. Com o uso de medicamentos emagrecedores, a qualidade do prato passa a ser peça-chave para o sucesso do tratamento.
Emagreceu rápido demais? Entenda o risco escondido na perda de peso – Crédito: FreePik
“Uma dieta bem estruturada garante oferta suficiente de proteínas, energia e micronutrientes”, diz Thyago Nishino, nutricionista com pós-graduação em Nutrição Esportiva pela USP.
Segundo ele, a ingestão de proteínas costuma precisar de ajustes. “Pessoas em uso desses medicamentos necessitam de uma ingestão proporcionalmente maior de proteínas para proteger a massa magra”, afirma.
Foco, fé e… musculação!
Mesmo com uma alimentação bem planejada, o músculo precisa de estímulo para se manter — e esse estímulo vem do movimento certo.
“Sem estímulo mecânico, o músculo tende a ser perdido, independentemente da alimentação”, diz Thyago. Exercícios de força, como musculação ou treinamento funcional, são aliados importantes na preservação da massa magra.
Atividades aeróbicas podem entrar como complemento, mas não substituem o treino de força quando o objetivo é proteger os músculos durante o emagrecimento.
O corpo fala
Nem sempre a perda de músculo aparece no espelho. Muitas vezes, o corpo avisa de outras formas. Na prática, vale ficar atenta a sinais como:
Fraqueza excessiva;
Cansaço fora do comum;
Perda de força;
Dificuldade para realizar atividades do dia a dia;
Queda de cabelo;
Tonturas frequentes;
Perda de peso muito rápida.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1507, de 6 de fevereiro de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.





