A morte de uma terapeuta de 31 anos em São Paulo, devido a complicações após um procedimento de Fertilização In Vitro (FIV), causou grande comoção e trouxe à tona questões sobre os riscos inerentes à FIV e à reprodução assistida. Gabriela Martins Moura realizava fertilização in vitro em uma clínica particular, segundo informou a família, quando sofreu uma parada cardiorrespiratória. A piauiense teve morte encefálica confirmada na terça-feira (24), após permanecer oito dias internada no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista.
Apesar de ser uma técnica amplamente difundida e geralmente considerada segura em todo o mundo, este trágico episódio levanta uma discussão fundamental: quais são, de fato, os perigos associados a esses procedimentos?
Embora o caso preocupe, especialistas reforçaram que eventos graves na Fertilização in Vitro são raríssimos. Ainda assim, como qualquer procedimento invasivo, a reprodução assistida não oferece risco zero. A ginecologista e obstetra Paula Fettback, especialista em Reprodução Humana pela FEBRASGO, explica que é essencial tratar situações como essa com responsabilidade técnica e clareza científica.
FIV: quais são os riscos envolvidos?
Segundo a médica, a FIV envolve etapas distintas, cada uma com perfis de risco específicos. A punção folicular, por exemplo, ocorre sob sedação ou anestesia venosa. Nesse momento, podem surgir complicações anestésicas — ainda que incomuns.
Além disso, a literatura médica descreve outras intercorrências, como a Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO), que ocorre quando o organismo responde de forma exagerada aos hormônios. Também podem acontecer sangramentos, infecções pélvicas ou, em casos mais raros, eventos tromboembólicos, principalmente em pacientes com fatores de risco prévios.
“Estamos falando de um evento extremamente raro, mas que se insere dentro do risco inerente à prática médica. A medicina reduz riscos, mas não trabalha com risco zero”, destaca a especialista.
FIV é segura? Especialista comenta morte de terapeuta de 31 anos – Crédito: FreePik
Protocolos na reprodução assistida reduzem complicações
Por outro lado, a boa notícia é que protocolos rigorosos diminuem significativamente as chances de complicações na reprodução assistida. Antes do procedimento, a equipe médica realiza avaliação clínica detalhada, exames laboratoriais atualizados e classificação de risco anestésico (ASA). Além disso, os profissionais avaliam risco tromboembólico e garantem consentimento informado completo.
Durante a coleta dos óvulos, a equipe monitora a paciente de forma contínua e conta, obrigatoriamente, com anestesista habilitado. Equipamentos de emergência ficam prontos para uso imediato e o checklist cirúrgico segue o modelo da OMS. Depois do procedimento, a paciente permanece em observação até preencher critérios seguros de alta.
De acordo com a médica, o acompanhamento multidisciplinar também faz diferença. A equipe avalia a função tireoidiana, estado metabólico, risco cardiovascular e perfil inflamatório. Ao mesmo tempo, considera o impacto emocional, já que o tratamento pode gerar estresse significativo.
Ela reforça que o consentimento informado precisa ir além de um documento formal. “A paciente deve compreender que a FIV é segura, mas envolve sedação e anestesia, que possuem riscos inerentes”, afirma.
Casos como esse, portanto, reforçam a importância de informação clara, protocolos bem estabelecidos e diálogo aberto entre médico e paciente. Transparência e empatia, segundo a especialista, fortalecem decisões conscientes.
Resumo: A morte de uma terapeuta após procedimento de FIV gerou comoção e levantou dúvidas sobre os riscos. Especialista explica que complicações graves são raras, mas possíveis. Protocolos rigorosos e acompanhamento multidisciplinar reduzem intercorrências Informação clara e consentimento consciente são fundamentais.
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