A campanha de Março Amarelo joga luz sobre a endometriose, doença ginecológica crônica e inflamatória que pode afetar diretamente a fertilidade. No Brasil, cerca de 8 milhões de mulheres convivem com o problema, segundo o Ministério da Saúde. Além disso, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) estima que entre 30% e 50% das pacientes diagnosticadas enfrentem dificuldade para engravidar.
A ginecologista Graziela Canheo, especialista em Reprodução Humana da La Vita Clinic, explica que a endometriose surge quando células semelhantes às do endométrio crescem fora do útero. Esses focos podem atingir ovários, tubas uterinas, intestino e bexiga.
Como resultado, eles respondem aos hormônios ovarianos e provocam inflamações recorrentes. Com o tempo, a doença inflamatória pode causar aderências, alterar a anatomia pélvica e comprometer tanto a qualidade dos óvulos quanto a receptividade do endométrio.
Endometriose e fertilidade: por que a doença não segue regras?
Muitas mulheres acreditam que apenas os casos graves reduzem as chances de gravidez. No entanto, a especialista alerta que a classificação em quatro estágios não determina, sozinha, o potencial reprodutivo. Ou seja, mulheres com quadro leve podem enfrentar infertilidade, enquanto outras com doença avançada conseguem engravidar espontaneamente.
Atualmente, os médicos também utilizam o Índice de Fertilidade na endometriose, ferramenta que considera idade e histórico reprodutivo para estimar as chances de gestação. Dessa forma, a avaliação se torna mais individualizada e realista.
Além disso, o corpo costuma dar sinais claros. Cólicas menstruais intensas, dor pélvica fora do período menstrual, dor durante a relação sexual, alterações intestinais no ciclo e dificuldade para engravidar funcionam como alertas importantes. Portanto, buscar diagnóstico precoce faz toda a diferença para preservar a qualidade de vida e a fertilidade.
Como a alimentação pode ajudar na fertilidade?
Como a endometriose apresenta caráter inflamatório e depende do estrogênio, a alimentação ganha papel estratégico, principalmente quando existe o desejo de engravidar. A nutricionista Amanda Figueiredo, especialista em saúde da mulher e reprodução humana, afirma que a nutrição atua como aliada no controle da inflamação e no equilíbrio hormonal.
Segundo ela, o excesso de inflamação prejudica a qualidade dos óvulos e modifica o ambiente uterino. Por isso, uma dieta adequada ajuda a modular processos inflamatórios, melhora a metabolização do estrogênio e protege a ovulação. Em outras palavras, o prato também participa do projeto de maternidade.
A especialista destaca três pilares fundamentais: redução da inflamação sistêmica, equilíbrio hormonal e preparo saudável do endométrio. Entre os alimentos recomendados, ela cita:
Peixes ricos em ômega-3
Azeite de oliva extravirgem
Vegetais crucíferos, como brócolis e couve
Frutas vermelhas
Sementes, oleaginosas e alimentos ricos em fibras
Esses alimentos oferecem compostos antioxidantes e anti-inflamatórios. Consequentemente, eles contribuem para um ambiente mais favorável à gestação, seja natural ou por meio de técnicas de reprodução assistida.
Ainda assim, Amanda reforça que não existe uma dieta única para todas as mulheres com endometriose. Cada organismo responde de forma diferente. Por isso, o acompanhamento multidisciplinar, com ginecologista e nutricionista, amplia as chances de sucesso e reduz complicações.
Resumo: A endometriose pode afetar a fertilidade, mas o diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado ampliam as possibilidades de gravidez. Além disso, ajustes na alimentação ajudam a reduzir a inflamação e equilibrar os hormônios. Uma estratégia individualizada faz toda a diferença no projeto de maternidade.
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