Sol pode adiar lançamento da missão Artemis 2 à Lua – entenda

Um artigo publicado recentemente no periódico científico Journal of Geophysical Research Space Physics sugere que a missão Artemis 2, da NASA, deveria ser adiada para o final de 2026, não apenas por questões técnicas, mas também por segurança diante da atividade solar. 

O estudo destaca que grandes erupções solares, embora fascinantes e capazes de gerar auroras, representam sérios riscos para astronautas e sistemas elétricos da Terra.

Em resumo:

Estudo sugere adiar a missão Artemis 2 até o final de 2026;

Risco está ligado a períodos de forte atividade solar;

Supererupções solares ameaçam astronautas, satélites e redes elétricas;

Novo método identifica ciclos solares de 1,7 e 7 anos;

Previsões ajudam planejar missões espaciais com maior segurança. 

Seis erupções solares ocorreram entre 1 e 4 de fevereiro de 2026. Crédito: NASA

Cientistas identificam ciclos ligados às supererupções solares

Erupções solares liberam enormes quantidades de energia e radiação. Enquanto as pequenas podem causar apenas interferência em rádios e satélites, as supererupções ameaçam a saúde de astronautas fora do campo magnético da Terra e podem prejudicar redes de energia e comunicação globalmente. Um evento similar ao histórico Evento Carrington do século XIX seria catastrófico hoje.

Prever erupções solares com antecedência é essencial, mas até agora, as tentativas têm sido pouco confiáveis. Pesquisadores internacionais afirmam ter desenvolvido um método mais preciso. A equipe liderada por Victor M. Velasco Herrera, da Universidade Nacional Autônoma do México, analisou 50 anos de dados de raios X do Sol e identificou dois ciclos de atividade até então ignorados: um de 1,7 ano e outro de 7 anos.

Isoladamente, esses ciclos não se destacam do comportamento geral do Sol. No entanto, quando combinados, aumentam a probabilidade de supererupções de classe X10 ou superiores. Embora o estudo não permita prever o momento exato de cada evento, ele indica períodos de vários meses em que a ocorrência de erupções muito poderosas é mais provável, além de apontar quais regiões do Sol são mais ativas.

Os pesquisadores prevêem que até meados de 2026, o hemisfério sul do Sol terá mais supererupções. Após uma pausa de cerca de seis meses, o hemisfério norte passará por um período mais curto de intensa atividade. “Nosso método oferece aos operadores de satélites e gestores de redes elétricas um aviso prévio de um a dois anos sobre períodos mais perigosos”, explica Herrera em um comunicado.

Erupções solares intensas podem afetar astronautas em órbita com radiação. Crédito: NASA/SDO

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Adiar a missão Artemis 2 reduz exposição dos astronautas à radiação

O estudo também reforça a segurança da Artemis 2, inicialmente programada para lançamento no início de 2026. Adiar a missão poderia evitar que astronautas fossem expostos a radiação intensa durante períodos críticos. Coincidentemente, grandes erupções de classe X ocorreram em maio de 2024, detectadas por sondas como a Solar Orbiter e a Parker Solar Probe, validando a previsão da equipe de Herrera.

Além da segurança, o adiamento também não prejudicaria o cronograma da Artemis 2. Problemas técnicos já causaram atrasos, tornando viável aguardar a janela mais segura sem grandes impactos no programa. Herrera sugere que, diante da atividade solar, lançar a missão no final de 2026 seria mais prudente.

Foguete SLS na plataforma de lançamento, pronto para decolar com os astronautas da missão Artemis 2, da NASA, rumo à Lua. Previsão de lançamento em abril. Crédito: NASA

A NASA ainda não confirmou oficialmente a decisão de seguir essa recomendação. Por enquanto, segue o plano de um lançamento em abril. Porém, se os problemas com o Space Launch System (SLS) persistirem, a justificativa de um adiamento ligado ao clima espacial seria conveniente, evitando admitir dificuldades técnicas do foguete.

O estudo também projeta futuros períodos de alto risco solar. Segundo Herrera e sua equipe, meados de 2030 a início de 2031 e boa parte de 2032 até início de 2033 poderão registrar intensa atividade. Essas previsões podem ser cruciais para missões futuras, ajudando a proteger astronautas e sistemas vitais na Terra.

Em resumo, a pesquisa de Herrera oferece um olhar mais detalhado sobre os ciclos solares e fornece ferramentas para planejar missões espaciais com maior segurança. Antecipar períodos de supererupções permite reduzir riscos, proteger tecnologias e salvar vidas, mostrando que entender o Sol é tão importante quanto dominar a engenharia dos foguetes.

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