Ex-SpaceX quer criar satélite que volta para a Terra e vai para o espaço de novo

A startup Lux Aeterna, liderada pelo veterano da SpaceX Brian Taylor, captou US$ 10 milhões (R$ 51 milhões) numa rodada de investimentos nesta terça-feira (10) para viabilizar satélites projetados para retornar intactos à Terra. 

O aporte, liderado pela Konvoy, financia o desenvolvimento de estruturas equipadas com escudos térmicos integrados. A ideia é usá-los para que o hardware sobreviva ao calor extremo da reentrada atmosférica em vez de ser incinerado igual lixo espacial.

A iniciativa visa encerrar a era dos satélites descartáveis, que hoje operam por períodos de cinco a dez anos antes de sucumbirem à atmosfera ou serem movidos para “órbitas cemitério”. 

Ao recuperar o equipamento, a Lux Aeterna propõe uma “capacidade de atualização dinâmica”. Isso permitiria que operadoras trouxessem satélites de volta para trocar componentes obsoletos, como câmeras e processadores. E, depois, lançassem eles com tecnologia atualizada.

Missão Delphi em 2027 pretende validar a reusabilidade de hardware em órbita

O maior obstáculo para essa visão é a física: retornar do espaço exige atravessar a atmosfera em velocidades que geram atrito avassalador. 

Para não se desfazerem igual meteoros, as naves precisam de revestimentos protetores. E eles adicionam peso e custo, o que historicamente limitou o retorno apenas a missões tripuladas ou cápsulas de carga específicas, como a Dragon, da SpaceX.

Para provar que pode superar esse desafio técnico, a startup prepara o lançamento da espaçonave Delphi para o primeiro trimestre de 2027, a bordo de um foguete da SpaceX. 

O teste servirá como um laboratório orbital, no qual clientes poderão hospedar experimentos e materiais que serão recuperados em solo no Koonibba Test Range, na Austrália, por meio de uma parceria com a companhia aeroespacial Southern Launch.

O diferencial estratégico da Lux Aeterna, contudo, vai além do resgate de amostras científicas. Brian Taylor argumenta que o modelo econômico atual é ineficiente. 

O novo aporte, liderado pela Konvoy, financia o desenvolvimento de estruturas equipadas com escudos térmicos integrados (Imagem: Lux Aeterna)

Em vez de construir e lançar constelações inteiramente novas a cada ciclo tecnológico, empresas poderiam simplesmente fazer a manutenção e substituição de sensores em solo. E, depois, devolver o satélite à órbita sem gastar tanto dinheiro.

Embora o conceito seja tecnicamente viável, a empresa enfrenta um cenário de rigor regulatório e concorrência de startups como Varda Space e Inversion. 

A escolha pela Austrália como local de pouso busca evitar os gargalos da FAA (agência de aviação dos EUA). O órgão já causou atrasos significativos a concorrentes devido à complexidade de garantir a segurança de reentradas comerciais sobre áreas povoadas.

Caso a viabilidade econômica se confirme, o retorno de cargas abre portas para setores de alto valor, como a manufatura de medicamentos e semicondutores em ambiente de microgravidade. 

O interesse estende-se ao setor militar, claro. Este vislumbra na tecnologia uma ferramenta para logística orbital rápida. E testes de componentes voltados a sistemas hipersônicos.

(Essa matéria usou informações de TechCrunch.)

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