Na semana passada, a loja online da Amazon apresentou problemas e, por cerca de seis horas, impossibilitou que usuários nos Estados Unidos realizassem compras ou acessassem suas contas. A AWS, divisão em nuvem da empresa, também passou por apagões.
Em outubro do ano passado, uma falha nos sistemas da companhia provocou instabilidades e até quedas em centenas de plataformas e serviços ao redor do mundo. Em dezembro, foram mais dois casos na AWS – um deles durou 13 horas.
Os ‘apagões’ viraram um problema a ser resolvido dentro da Amazon. A CNBC confirmou que a reunião semanal “This Week in Stores Tech”, voltada para as equipes de tecnologia de varejo, desta terça-feira (10) seria especificamente para tratar sobre esse assunto.
O recado foi dado por Dave Treadwell, vice-presidente sênior da eCommerce Foundation e um dos principais executivos responsáveis pela infraestrutura técnica do site da Amazon, em comunicado aos funcionários. Segundo ele, o encontro será uma análise aprofundada de “alguns dos problemas que nos trouxeram até aqui”, incuindo erros de codificação assistidos por IA.
Na mensagem vista pelo site, Treadwell afirmou que “a disponibilidade do site e da infraestrutura relacionada não tem sido boa ultimamente” e que estava mudando o foco da reunião “devido à incidência de incidentes de Severidade 1”. Esse tipo de ocorrência é considerado crítico porque pode provocar interrupções no funcionamento de sistemas essenciais.
O objetivo do encontro é tratar sobre os problemas e restabelecer o nível de confiabilidade da plataforma.
Os casos da AWS não estão incluídos nos incidentes que serão tratados por Treadwell.
Uso de IA no desenvolvimento também está sob análise
Em um memorando interno separado, Treadwell apontou que mudanças de código assistidas por ferramentas de IA podem ter contribuído para alguns dos incidentes registrados desde o terceiro trimestre de 2025.
De acordo com o documento, o uso da tecnologia para acelerar implementações no sistema pode levar a práticas consideradas inseguras, especialmente quando não há salvaguardas suficientes no processo.
O executivo também reconheceu que as diretrizes e mecanismos de controle para o uso de IA no desenvolvimento de software ainda não estão totalmente consolidados dentro da Amazon.
Para reduzir o risco de novas falhas, a Amazon pretende implementar medidas adicionais de segurança:
Entre as mudanças previstas está a exigência de que engenheiros mais experientes revisem alterações de código geradas ou auxiliadas por IA, especialmente quando essas modificações forem feitas por profissionais mais juniores;
Segundo Treadwell, a empresa também pretende introduzir barreiras temporárias no processo de atualização de sistemas críticos, criando um nível adicional de verificação antes que mudanças sejam implementadas;
Ao mesmo tempo, a companhia planeja investir em mecanismos mais permanentes de proteção, incluindo novas salvaguardas automatizadas e controles proativos para mudanças de software.
Os incidentes ocorrem em um momento em que a Amazon e outras empresas de tecnologia ampliam seus investimentos em infraestrutura voltada à IA. No relatório financeiro mais recente, a big tech indicou que pretende investir cerca de US$ 200 bilhões em infraestrutura neste ano.
Ao mesmo tempo, a empresa também vem promovendo cortes de custos. Em janeiro, demitiu cerca de 16 mil funcionários corporativos. Leia os detalhes aqui.
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