Estudo indica que viagens espaciais podem deslocar o cérebro de astronautas

O ser humano tem marcado uma presença cada vez maior no espaço, mas ainda pouco se sabe sobre os reais efeitos dessas viagens sobre os nossos corpos. Um estudo publicado em janeiro deste ano no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), importante revista científica, apontou que as expedições ao espaço alteram a posição cerebral dos astronautas. A pesquisa foi conduzida por Tianyi Wang e Rachael Seidler, listados como principais autores do estudo.

A pesquisa da Universidade da Flórida, financiada pela NASA, fez uma ressonância magnética cerebral em 26 astronautas que passaram de algumas semanas a até um ano no espaço.

O procedimento realizado antes e depois das viagens tinha como objetivo identificar alguma alteração nos exames e compreender se o tempo de viagem também era um indicativo de risco para problemas neurológicos. Nos casos em que a duração da jornada foi maior, o cérebro chegou a mover 2 mm para trás, o que afetou áreas sensoriais, gerando enjoo e desorientação.

Para quem tem pressa:

Um estudo publicado em janeiro deste ano no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), importante revista científica, apontou que as expedições ao espaço alteram a posição cerebral dos astronautas;

A pesquisa fez uma ressonância magnética cerebral em 26 astronautas que passaram de algumas semanas a até um ano no espaço. Nos casos em que a duração da jornada foi maior, o cérebro chegou a mover 2 mm para trás, o que afetou áreas sensoriais, gerando enjoo e desorientação;

Apesar disso, em até seis meses após o retorno, as deformações foram recuperadas, o que não ocorreu de forma total com a posição do cérebro.

Gravidade (ou a falta dela) é o maior fator para problemas neurológicos

Astronauta flutuando sobre a Terra, no espaço (Imagem: Vadim Sadovski/Shutterstock)

Na Terra, a gravidade exerce uma grande influência sobre os órgãos humanos, garantindo que cérebro e fluidos corporais se mantenham voltados ao centro do planeta. Já em condições de gravidade zero ou de microgravidade, esse movimento não ocorre, deixando que o cérebro “flutue” no crânio.

O tempo foi um dos principais fatores apontados pelo estudo. Os astronautas que passaram mais de seis meses no espaço (tempo padrão de operações na Estação Espacial Internacional) apresentaram uma movimentação cerebral maior, incluindo pequenas deformações neurológicas.

É da ordem de alguns milímetros, o que não parece muito, mas quando se fala em movimento cerebral, faz toda a diferença. Esse tipo de mudança é visível a olho nu.

— Afirmou em nota Rachael Seidler, professora do departamento de fisiologia aplicada e cinesiologia da Universidade da Flórida e coautora do estudo.

Apesar disso, em até seis meses após o retorno, as deformações foram recuperadas, o que não ocorreu de forma total com a posição do cérebro, “provavelmente porque a gravidade puxa para baixo em vez de para frente, de modo que alguns efeitos do voo espacial na posição do cérebro podem durar mais tempo do que outros“, comentou Seidler.

Saiba mais:

Estação Espacial Internacional pode continuar ativa além do prazo previsto

Mulheres na Ciência: o desafio vai além do diploma

Sistema estelar quádruplo raro supercompacto intriga astrônomos

Como o estudo foi feito?

Para buscar resultados mais exatos, a equipe dividiu o cérebro em 100 áreas e analisou cada uma delas antes e após os voos espaciais. Com a estratégia adotada, foi possível obter resultados que não apareciam avaliando o órgão sem as divisões.

Descobrimos que o cérebro se movia consistentemente para cima e para trás ao comparar o período pós-voo com o período pré-voo. Quanto mais tempo a pessoa permanecia no espaço, maior era o deslocamento. Uma das descobertas mais surpreendentes veio da análise de regiões cerebrais específicas.

— Adicionou a autora.

A pesquisa mostrou que as regiões no topo do cérebro foram as que mais se movimentaram. Isso causou tontura momentânea e enjoo em alguns astronautas por afetar áreas cerebrais de orientação e sensibilidade. Apesar disso, o estudo não identificou consequências mais significativas e duradouras.

Por que a descoberta é importante?

Órbita da Estação Espacial Internacional (ISS) no espaço sobre o rio Amazonas (Imagem: Darryl Fonseka/iStock)

Por mais que os resultados devam passar por um aprofundamento, a pesquisadora afirma que não é necessário encerrar as atividades espaciais, mas que se devem elaborar métodos para evitar consequências prejudiciais à saúde.

Ademais, saber como o cérebro se move durante voos espaciais e como se recupera posteriormente permite que os pesquisadores compreendam os efeitos da microgravidade na fisiologia humana. Isso pode ajudar as agências espaciais a projetar missões mais seguras.

O post Estudo indica que viagens espaciais podem deslocar o cérebro de astronautas apareceu primeiro em Olhar Digital.