NASA pretende alterar foguete usado nas missões Artemis à Lua

Conforme noticiado pelo Olhar Digital, a NASA está fazendo mudanças importantes no programa de exploração lunar Artemis, desenvolvido para levar astronautas de volta à Lua. As alterações envolvem principalmente o complexo veicular Space Launch System (SLS), responsável por lançar a cápsula tripulada Orion nas futuras missões.

Em resumo:

NASA planeja alterar foguete SLS usado nas missões Artemis;

Agência quer simplificar lançamentos e reduzir intervalo entre missões;

Novo plano inclui possível uso do estágio superior Centaur V, da ULA;

Mudança pode substituir versões diferentes previstas para o SLS;

Objetivo é acelerar retorno humano e presença duradoura na Lua.

Representação artística do foguete SLS lançando a missão Artemis 2 à Lua. Crédito: Paopano – Shutterstock

O novo plano foi apresentado no fim de fevereiro pelo administrador da NASA, Jared Isaacman. Segundo ele, a agência pretende simplificar o sistema de lançamento e reduzir o intervalo entre as missões. A ideia é tornar o programa lunar mais eficiente e acelerar os preparativos para a exploração do espaço profundo.

NASA vai contratar ULA sem concorrência pública

Poucos dias depois, na sexta-feira (6), um aviso publicado no sistema oficial de contratos do governo dos Estados Unidos indicou que a NASA pretende utilizar um novo estágio superior no foguete SLS.

O documento mostra que a agência quer contratar a United Launch Alliance (ULA) para fornecer o estágio superior Centaur V. Segundo a NASA, esse contrato deve ocorrer sem licitação, já que apenas esse equipamento atenderia aos requisitos técnicos e ao cronograma do programa Artemis.

O programa Artemis é o sucessor das missões Apollo, que levaram astronautas à Lua entre 1969 e 1972. Desta vez, porém, os planos são mais ambiciosos. Muito mais do que pousar, a NASA pretende estabelecer uma presença humana duradoura na superfície lunar. Além disso, as missões também servirão para testar tecnologias e preparar futuras viagens tripuladas para Marte. Por esse motivo, o programa Artemis é visto como um passo importante para a próxima fase da exploração espacial.

O estágio superior Centaur V, da United Launch Alliance (ULA), que será usado nas missões Artemis à Lua. Crédito: United Launch Alliance

O principal veículo dessa estratégia é o foguete SLS. Ele foi projetado para transportar a cápsula tripulada Orion, espaçonave onde os astronautas estarão acomodados durante a viagem.

Após o lançamento, a Orion segue até a órbita da Lua e depois retorna à Terra. A nave possui sistemas de suporte à vida, proteção térmica para a reentrada na atmosfera e espaço para a tripulação trabalhar durante a missão.

No plano original do programa Artemis, a NASA pretendia utilizar diferentes versões do foguete SLS ao longo das missões. As três primeiras missões usariam uma versão inicial chamada “Bloco 1”. Missões posteriores receberiam versões mais avançadas do foguete, com maior capacidade de transporte. Essas versões utilizariam um novo estágio superior chamado Exploration Upper Stage.

O estágio superior é a parte do foguete responsável por fornecer o impulso final após o lançamento. Esse impulso é essencial para colocar a nave na trajetória que a levará até a Lua. Com as mudanças recentes, a NASA decidiu abandonar esse plano de várias versões diferentes do SLS. Em vez disso, a agência pretende adotar uma configuração mais padronizada para o foguete.

Esboço do programa Artemis, da NASA, após a reestruturação. Crédito: NASA

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Centaur V tem mais energia para impulsionar a Orion até a Lua

A possibilidade de usar o Centaur V já havia sido sugerida quando a NASA divulgou uma imagem mostrando a nave Orion acoplada a um estágio diferente dos modelos previstos anteriormente. 

O Centaur V já tem experiência em voos espaciais. Ele é usado no foguete Vulcan, que realizou seu primeiro lançamento em 2024 e já completou várias missões. Esse estágio superior utiliza dois motores RL10, um tipo de motor bastante tradicional em foguetes os EUA. Versões anteriores da família Centaur participaram de quase 170 lançamentos ao longo de décadas.

Além disso, o Centaur V é maior e incorpora tecnologias mais recentes em relação às versões anteriores. Graças a essas melhorias, consegue levar aproximadamente o dobro de propelente em comparação com o estágio superior que havia sido inicialmente previsto para o SLS. Isso permite gerar mais energia para empurrar a nave Orion em direção à Lua, ajudando a colocá-la na trajetória correta para a missão.

As mudanças também afetaram o cronograma das missões Artemis. A Artemis 2 deverá levar quatro astronautas em uma viagem de cerca de dez dias ao redor da Lua antes de retornar à Terra – o que deve acontecer em abril.

Já a missão Artemis 3 deve funcionar como um voo de teste em órbita da Terra. O primeiro pouso humano na Lua dentro do programa agora está previsto para acontecer durante a missão Artemis 4, em 2028. 

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