Ataques a carros autônomos revelam desafios na proteção de passageiros

Doug Fulop, profissional do setor de tecnologia, voltava para casa com dois amigos quando o veículo em que estava – um carro autônomo da Waymo – foi abordado por um homem na rua, em São Francisco. Segundo o relato, o agressor começou a gritar, socar os vidros e tentou forçar a entrada no carro, chegando a ameaçar os ocupantes de morte. A situação durou cerca de seis minutos.

O episódio, relatado pelo The New York Times, ocorreu em janeiro e reacendeu o debate sobre a segurança dos carros autônomos.

Diferentemente de um táxi tradicional, o veículo não tinha motorista para reagir ou deixar o local imediatamente. Os modelos autônomos são projetados para parar diante da presença de pedestres e podem acabar imobilizados em situações como essa – o que, em alguns casos, tem sido explorado por pessoas para intimidar passageiros.

Durante o incidente em São Francisco, os ocupantes acionaram tanto os serviços de emergência quanto o suporte da Waymo. A empresa informou que não poderia mover o carro manualmente enquanto houvesse alguém nas proximidades, reforçando que as portas trancadas garantiriam a segurança dos passageiros. O sistema também impede que usuários assumam o controle do veículo.

A situação só foi resolvida quando o agressor se afastou momentaneamente, permitindo que o carro retomasse o trajeto. A polícia foi acionada e chegou ao local posteriormente. Um boletim de ocorrência acessado pelo NYT confirmou o relato.

Segundo o site, casos como esse não são isolados. Desde que os veículos autônomos começaram a circular na cidade, há cerca de quatro anos, outros episódios de hostilidade, vandalismo e protestos já foram registrados. Em outras ocasiões, pessoas já tentaram bloquear sensores ou cercar os carros, deixando passageiros presos no interior.

Vídeos anteriores compartilhados nas redes sociais também mostram situações em que os modelos autônomos ficam parados, desorientados ou incapazes de reagir a obstáculos, o que levantou questionamentos sobre a capacidade de lidar com cenários imprevisíveis.

Casos recentes levantaram debate sobre a capacidade dos veículos autônomos lidarem com situações adversas (Imagem: Lost_in_the_Midwest/Shutterstock)

Ausência de motorista em carros autônomos também pode ser vantagem

Ainda assim, há usuários que veem vantagens no modelo. Para alguns, a ausência de um motorista humano reduz riscos associados a comportamentos inadequados durante corridas.

Amina Green, uma tecnóloga e escritora de São Francisco, contou ao Business Insider que passou por um caso parecido: dois homens ficaram parados em frente ao Waymo em que ela estava, importunando. Mesmo assim, ela se sentiu mais segura dentro do carro do que com um motorista humano.

Anders Sorman-Nilsson, autor e palestrante na área de tecnologia, teve uma experiência parecida em maio, em Los Angeles. Segundo ele, cinco homens em bicicletas pararam ao redor do carro e bateram no vidro, exigindo que ele abrisse. Ele não obedeceu e, depois de um tempo, os ciclistas foram embora.

Sorman-Nilsson afirmou que se sentiu mais seguro do que com um motorista humano, que poderia ter cedido à pressão e aberto o vidro. Além disso, o trajeto é monitorado por câmeras no próprio Waymo, então tudo ficou registrado.

A Waymo defende a segurança dos carros e afirma que seus veículos apresentam índices significativamente menores de acidentes graves em comparação com motoristas humanos. Ao mesmo tempo, estudos independentes já indicaram que certos tipos de colisão, como batidas traseiras, podem ser mais frequentes nesses sistemas.

Apesar das controvérsias, o serviço tem crescido rapidamente. A empresa triplicou o número de viagens no último ano, alcançando milhões de corridas, e planeja expandir sua operação para novas cidades nos Estados Unidos.

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