O bilionário de tecnologia Peter Thiel realizou uma série de palestras em Roma que provocaram reações negativas dentro da Igreja Católica. Os encontros, realizados entre domingo (15) e quarta-feira (18), abordaram o conceito do Anticristo.
A iniciativa ocorreu em um momento de crescente interesse do empresário por temas religiosos e filosóficos. Conhecido por sua atuação em empresas como PayPal e Palantir, Thiel tem defendido interpretações baseadas em profecias bíblicas para alertar sobre riscos globais, incluindo inteligência artificial, mudanças climáticas e conflitos nucleares.
Segundo sua visão, esses cenários poderiam ser utilizados como justificativa para a ascensão de uma figura com características do Anticristo, que prometeria segurança e estabilidade, mas acabaria instaurando um regime global autoritário.
As palestras foram organizadas por um grupo católico conservador e ocorreram em um local sigiloso. O evento não era aberto ao público, com participação restrita a convidados dos setores acadêmico, tecnológico e religioso. Segundo o The New York Times, ao menos um sacerdote esteve entre os participantes.
Críticas ao ‘Anticristo da IA’
Apesar de Thiel já ter promovido discussões semelhantes em cidades como São Francisco e Paris, a realização do evento em Roma – próxima ao Vaticano – intensificou as críticas. Integrantes da Igreja Católica passaram a questionar publicamente as ideias defendidas pelo empresário.
Entre as reações, destacou-se um ensaio publicado pelo padre Paolo Benanti, conselheiro do Vaticano para temas de inteligência artificial. No texto, o religioso classificou as posições de Thiel como uma forma de “heresia” e criticou sua atuação como uma espécie de “teólogo político” no ambiente tecnológico.
Outras publicações ligadas à Conferência Episcopal Italiana também se manifestaram, alertando para o risco de líderes do setor de tecnologia influenciarem debates éticos e políticos sem supervisão adequada. Os textos defendem maior controle institucional sobre plataformas digitais e o combate à desinformação.
Críticas mais amplas apontam que as ideias de Thiel poderiam distorcer valores centrais das democracias contemporâneas, como competição, individualidade e desenvolvimento tecnológico, potencialmente levando a cenários autoritários.
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Além das reações dentro da Igreja, o evento também gerou manifestações de grupos civis. Em Roma, ativistas protestaram contra a presença do empresário, associando suas posições a interesses políticos e ao avanço de grandes empresas de tecnologia.
A série de palestras ocorreu sem cobertura da imprensa. Informações sobre possíveis vínculos com instituições religiosas da cidade foram negadas por representantes dessas entidades. O porta-voz de Peter Thiel se recusou a dar comentários ao NYT.
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